Haddad reconhece dificuldades do PT, mas evita se colocar como opção do partido para presidência

BandNews FM Curitiba

Um dos principais nomes do PT, o ex-ministro e ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad reconhece que o partido enfrenta adversidades para as eleições, mas evita se colocar como opção na disputa à Presidência da República.

Horas antes do julgamento no STF que vai definir o destino do ex-presidente Lula, Haddad disse que o registro da candidatura petista só vai ser discutido em agosto. Ele esteve em Curitiba na noite desta terça-feira (3) para participar de um debate na Universidade Federal do Paraná.

O ex-ministro tem a expectativa de que os preceitos constitucionais prevaleçam no julgamento do habeas corpus preventivo em favor do ex-presidente Lula.

“Eu defendo que todo mundo seja tratado igualmente perante a lei. E a nossa constituição é muito clara, ela diz que ninguém será considerado culpado até trânsito em julgado de sentença penal condenatória. A vida inteira ela foi interpretada de uma maneira. Agora mudar a interpretação só para prejudicar um indivíduo não me parece o melhor caminho a tomar. Se há um desejo de revisar a legislação, isso é um outro capítulo. Mas a legislação hoje é essa. Então a minha expectativa é de que o Supremo vai fazer valer a letra da constituição. Porque isso traz segurança jurídica para as pessoas. É um equivoco imaginar que, se você não gosta de uma pessoa, você fica torcendo para que o entendimento seja alterado, porque daqui a pouco a vítima vai ser alguém que você gosta”, afirmou.


A Lei da Ficha Limpa não impede Lula de registrar a candidatura. No entanto, não considera elegível o candidato que tiver condenação em segunda instância, que é o caso do ex-presidente. Haddad disse que o partido deve discutir no momento do registro se ainda há condições de buscar recursos judiciais para manter a candidatura de Lula.

Coordenador do plano de governo do Partido dos Trabalhadores para o Planalto, o ex-ministro já foi apontado por grupos de intelectuais como opção de representante centro-esquerda para a disputa presidencial. Ele evita comentar a possibilidade de ser o nome alternativo do PT para a Presidência da República.

O ex-ministro também cobrou respostas das autoridades para solucionar o caso dos ataques à caravana do ex-presidente Lula. Na semana passada, dois ônibus da comitiva foram alvejados com tiros em Laranjeiras do Sul, região Centro-Sul do Paraná.

“O estado brasileiro não pode deixar que meia dúzia de facistas, que não tem cultura democrática, queiram fazer justiça com as próprias mãos, segundo seus próprios critérios. Não é assim que funciona. A Justiça tem que atuar, a polícia tem que investigar, punir os responsáveis, como qualquer cidadão que comete uma barbaridade de colocar a vida de pessoas em risco”, disse.

Haddad ressaltou que diante da atual instabilidade política ainda é cedo para discutir alianças de partidos de esquerda para as eleições presidenciais, mas que alguns acordos podem se desenhar principalmente no segundo turno.

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