Política
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Herdeira da família Barros vai em busca da herança lernista

O pai, deputado federal licenciado Ricardo Barros (PP-PR), é o atual ministro da Saúde. A mãe é a vice-governadora Cida ..

Narley Resende - 15 de agosto de 2016, 20:08

O pai, deputado federal licenciado Ricardo Barros (PP-PR), é o atual ministro da Saúde. A mãe é a vice-governadora Cida Borghetti (PROS). O tio Silvio Barros (PP) é ex-prefeito e atual candidato à prefeitura de Maringá.

Com a política no sangue, a deputada Maria Victória (PP), 24 anos, é, de longe, a mais jovem dos candidatos à prefeitura de Curitiba nas eleições deste ano.

Com ela, o Metro Jornal inicia sua série de entrevistas com os candidatos a prefeito da cidade.

Por que o curitibano deve votar em você?

Porque o curitibano precisa de alguém que de fato trabalhe em equipe para fazer com que Curitiba volte a ser referência em planejamento urbano, para que volte a ser o orgulho dos curitibanos.

Uma cidade que, por tantas vezes, foi copiada por cidades em todo o Brasil e também fora do país. E isso se perdeu com o tempo e precisa se retomado.

Como retomar isto?

Com a humildade de reconhecer trabalhos e projetos que foram implementados por outros governos, outras administrações, mas que deram certo, que precisam ser retomados. E, ao mesmo tempo, com uma equipe capacitada, que de fato entenda suas pastas, fazendo as inovações e buscando ideias. E, claro, ideias que sejam viáveis economicamente para cidade, porque nós não vamos prometer nada que não possamos cumprir.

Dessas ideias que deram certo, quais você citaria?

O Mãe Curitibana, que foi um pouco esquecido, o Lixo que não é Lixo, que é um projeto fantástico também, que ainda funciona, mas que não se ouve falar tanto. São dois exemplos de vários que precisam ser retomados.

Qual é a sua avaliação da gestão do Gustavo Fruet?

Eu tenho certeza que o prefeito e sua equipe têm feito o melhor que eles podem para a cidade. Mas não sou eu que estou dizendo, as pessoas estão dizendo e as ruas estão mostrando que ele deixou a desejar.

Quais áreas que você acha que estão mais deficientes?

Várias casas de assistência social foram fechadas, se não me engano, foram 81, e por isto a gente vê tantos moradores de rua.

Falta de iluminação e monitoramento fazem com que as pessoas usem esses espaços, que eram de passeio de famílias, para uso de drogas. A Secretaria Antidrogas foi fechada. Precisa ter projetos para que elas possam ser reinseridas na sociedade, tanto os usuários de drogas quanto os moradores de rua, por intermédio de parcerias público-privadas que deem capacitação a essas pessoas em programas técnicos, e uma aliança com empresas que possam acolher essas pessoas.

Há uma visão de que o morador de rua tem o direito de morar ali, que tem que dar esta liberdade e ele não pode ser obrigado a ir a lugar nenhum.

O que você acha?

Todo cidadão tem o direito de ir e vir, isto está na constituição. Desde que não interfira no direito de ir e vir do outro. Então é aí que está a grande sacada e onde precisa de fato fazer melhorias.

Com 24 anos, como vai lidar com esta desconfiança do eleitor, que é natural?

A juventude vem a fortalecer, eu acredito, ainda mais nessas eleições porque é época de renovação, e o jovem tem energia, tem vontade de fazer as coisas acontecerem.

Aqueles que estão insatisfeitos estão procurando uma alternativa. E eu acredito que eu seja esta alternativa para os curitibanos. Nós estamos nos colocando dessa forma para mostrar, através de transparência e muita clareza, que é possível fazer melhor.

Algo que ouvimos é que você estaria fazendo um bom trabalho para abrir a candidatura da sua mãe para o governo do Estado daqui a dois anos. É isso mesmo?

Na verdade, esses boatos surgem diariamente, né? Cada dia é uma notícia que a gente acaba tendo que administrar, mas eu diria o seguinte: Curitiba e o Paraná não podem mais esperar.

A gente está propondo desde já mudanças e melhorias que são viáveis através de uma trajetória de boa política, de política honesta. E a gente está propondo uma gestão muito transparente e participativa, verdadeiramente democrática. Onde as pessoas possam sugerir, trazer possíveis soluções e as demandas de maneira instantânea. Você vai ter o maior tempo de campanha na televisão.

Sua coligação foi feita pensando nisto?

Não. Foi uma surpresa, na realidade, quando nós vimos. Mas de fato estamos com uma coligação que nos possibilitou o maior tempo de televisão entre todos os candidatos nesta eleição. O que vai ser muito bom, porque é uma campanha curta, de 45 dias, uma campanha diferente, que não tem os recursos que antes tinha nas outras.

E o pai e a mãe entram em campanha?

Na minha outra campanha que eu concorri como deputada estadual eles não entraram e eu também não usei o sobrenome. Eu trabalhei muito e eles com certeza me ajudaram muito com conselhos, mas não andaram comigo na última campanha e como eles têm responsabilidades importantes a cuidar, acredito que não estarão .

Você já tem uma equipe?

Nós estamos contando com a participação de pessoas muito experientes que trabalharam com o Jaime Lerner. Agora mesmo, estava reunida com Lubomir (Ficinski, arquiteto), que tem ajudado muito. O (Jaime) Lechinski que tem sido fantástico, o próprio Jaime Lerner, que tem contribuído muito com o plano de governo, aquilo que ele faria se fosse prefeito hoje. Está nos possibilitando acesso a essas pessoas e a esses projetos que de fato são inovadores e precisam acontecer.

Você está negociando um apoio público do Lerner?

Não. Eu acredito que todos nós candidatos admiramos imensamente o trabalho de Jaime Lerner. Em 1970, ele fez os BRTs, os parques da cidade de forma tão visionária e inovadora. Ninguém pensava que aquilo poderia ser realidade. E está aí. E é o que a gente pretende fazer. Retomar este bom trabalho com a participação dele de forma intelectual. Eu me reúno sempre com ele, para me aconselhar, para aprender. Eu tenho esta sede de conhecimento, de conteúdo para que eu possa fazer o que eu realmente amo, que é servir as pessoas, que é fazer as coisas acontecerem. E ele tem colaborado imensamente para isto.

A situação política do país favorece uma candidatura como a sua, jovem, que não tem história na política?

Na realidade, eu brinco que eu tenho 24 anos de trajetória política de experiência. Ontem, ficamos até de madrugada escolhendo fotos e eu me encantei e entendi porque eu tenho essa paixão pela política e por servir as pessoas. Eu faço isso desde a minha primeira infância, desde os dois anos. Eu com quatro anos, em 94 também pedindo votos pro Jaime Lerner, Carvalhinho, FHC era candidato à Presidência da República, meu pai era candidato a deputado federal.

Já dá para falar em prioridades que você vai ter?

Primeiro, reintegrar o transporte metropolitano, que foi desintegrado e tem prejudicado muito. Não só no termo social mas também econômico da cidade. Precisa pavimentação, que é algo viável, nos cem primeiros dias a gente pretende fazer um recape, asfaltar (...) Tudo que a gente for propor, eu não digo prometer, porque a gente não vai prometer nada, mas o que a gente poderia fazer pela cidade, todas as propostas serão viáveis economicamente. Eu gosto de enfatizar isto porque é hora de ser muito transparente. É hora de falar a verdade para as pessoas e dizer o que pode ser feito de fato e o que infelizmente não dá para fazer. Se tivesse todo dinheiro do mundo, eu tenho certeza que todos os candidatos fariam o possível, mas como não dá, a gente está com a melhor equipe, analisando, traçando as prioridades e vendo a viabilidade econômica e o custo benefício de tudo isto.

É contra ou a favor do Metrô?

O Metrô se tornou economicamente inviável. O seu custo de construção e manutenção não cabe mais na realidade da cidade. E também uma linha só não resolveria o problema de mobilidade. Então a gente propõe a alternativa do VLP, que inclusive é uma proposta do Jaime Lerner que já utilizaria esta infra-estrutura de BRT que foi feita em 1970. São vá- rias linhas com custo de construção e manutenção muito menor e que atenderiam a demanda de mobilidade da cidade. Mas é claro, não só o VLP, são medidas e um conjunto de iniciativas que possibilitariam uma melhor mobilidade. Com os ônibus biarticulados já faz quatro anos que as frotas não são renovadas. E precisam ser renovadas.

Como resolver esse conflito do Uber e taxistas?

A inovação é sempre bem vinda e há mercado para todos, mas o que precisa é uma regulamentação honesta, como a que como foi feita em São Paulo, em que o Uber custaria R$ 0,10 a mais por quilômetro rodado. Isso poderia ser feito aqui. Eu conversei inclusive com os taxistas e eles não aceitam essa proposta. Então teria que ser aprofundado, ser feitos mais estudos, para saber de fato se isso é bem-vindo ou se não é, qual a melhor opção e aí sim tomar a melhor decisão.

Você acha as que ciclovias deveriam ser ampliadas?

Eu acho o uso da bicicleta fantástico. Em Amsterdam, as pessoas se locomovem através de bicicletas, mas é uma cidade plana. A topografia de Curitiba não favorece a esse tipo de transporte, e nem o clima.

No ano passado, choveu cem dias, então é difícil a pessoa ir de bicicleta para o trabalho, e ela vai preferir ir de carro quando estiver chovendo. Mas é, sim, uma alternativa e que deve andar em conjunto, porque são várias soluções, que juntas podem melhorar a mobilidade da cidade.

Dá para cortar mais na máquina pública da prefeitura?

Essa é a nossa ideia, como em qualquer empresa. Inclusive sou empresária, tenho uma escola bilíngue já há seis anos, que administro e é isso que a gente faz lá. É o que Jorge Paulo Lemman faz. Cortar custos, economizar o máximo possível. E não é diferente em uma prefeitura. Cortar para poder aumentar o investimento e fazer as coisas acontecerem.

Tem a intenção de fazer parcerias público-privadas?

Toda a intenção do mundo. As empresas privadas têm um know-how específico, e a prefeitura ou qualquer órgão público não pode querer colocar tudo embaixo da sua asa e administrar tudo. Então essa parceira é superimportante – as pessoas que entendem de fato das suas pastas prestando serviço para o serviço público. Parceria público-privada, eu faria praticamente em todas as áreas.

Você já opinou, que o Bolsa Família poderia passar por cortes. Qual a sua opinião atual? Como ficariam os programas assistenciais da prefeitura?

A minha opinião quanto ao Bolsa Família se torna irrelevante neste momento, mas já que foi questionado, havia na época R$ 2 bilhões em caixa, isto de pessoas que possuem o cartão do Bolsa Família e não foram buscar o dinheiro.

Ou seja, se a pessoa de fato precisa, vai buscar. Eu admiro o programa Bolsa Família, apesar de não acreditar no assistencialismo. Acredito que o corte deveria ser feito, mas através de gestão e fiscalização de para onde o dinheiro está indo e que funcione como uma assistência para as pessoas que de fato precisam, e não como um auxilio, um algo a mais. Mesmo porque é muito claro que, para a pessoa ter esse cartão, ela tem que estar desempregada. Aí ela trabalha por fora, não contribui, acaba trocando a cesta básica e os auxílios por alguma coisa de interesse dela e isso vai fazendo uma bola de neve para o caixa. Os programas assistenciais teriam que ser revisados, um a um, para saber a eficácia e ver o que manter. O que estiver funcionando manteremos. Poderíamos inovar, como no caso de hortas comunitárias.