É imoral ter futebol em Maringá neste momento, diz prefeito Ulisses Maia

Vinicius Cordeiro e Jorge de Sousa

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O prefeito de Maringá, Ulisses Maia, disse que não faz sentido a realização de jogos do Campeonato Paranaense enquanto os hospitais estão no limite para atender pessoas durante a crise de covid-19.

“Nós somos a favor de futebol, a prefeitura estimula. O Maringá Futebol Clube treina em uma área do município, eles jogam em um estádio que é cedido a ele. O apoio é integral, mas tem determinado momento que as medidas são óbvias. Para tudo para conter a transmissão e vai liberar o estádio de futebol? É imoral”, avaliou ele em entrevista ao Paraná Portal.

De acordo com o painel da transparência da Sesa (Secretaria de Estado da Saúde), quatro dos cinco hospitais que dispõe de leitos da rede pública estão lotados. Diante desse cenário, o prefeito de Maringá ainda criticou a Federação Paranaense de Futebol (FPF) por não tomar a iniciativa de suspender os jogos por conta própria.

“Isso deveria ser uma iniciativa das federações, que estão pensando em patrocínio e dinheiro, não estão pensando no ser humano. Então aqui não vai ter futebol enquanto a coisa não normalizar”, completou Maia.

Veja a íntegra entrevista do prefeito Ulisses Maia, de Maringá.

CAMPEONATO PARANAENSE ACONTECE EM MEIO A SUSPENSÕES; MARINGÁ DEVE JOGAR EM ARAPONGAS

O Campeonato Paranaense teve seis partidas disputadas até o momento, sendo que estavam previstos 18 jogos para terem acontecido até ontem. O alto número de adiamentos é o momento crítico da covid-19.

O Paraná teve uma explosão de casos e internações, atribuída à nova variante do coronavírus chamada de P1 e surgida em Manaus. O estado vive um período de pré-colapso: 1.228 pessoas aguardam por leitos, sendo que 541 pacientes precisam de UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Na primeira rodada, as prefeituras atenderam um pedido do MP (Ministério Público) e suspenderam os confrontos.

Em Maringá, Ulisses Maia defende que não há como liberar o futebol também em respeito aos trabalhadores que já estão com contas atrasadas e sofrem com os fechamentos determinados pelos decretos.

“Não vai ter transmissibilidade, todo mundo está testado… Mas é imoral. Como você justifica para o dono do bazar que está com a maior dificuldade, conta vencida, sem dinheiro para pagar funcionário e assistir um jogo de futebol acontecendo na sua cidade. Não tem cabimento”, comenta ele.

Procurado pelo Paraná Portal, o Maringá Futebol Clube diz estar ciente da determinação da prefeitura e deve atuar em Arapongas. O município entrou em acordo com a Federação e liberou partidas no Estádio dos Pássaros.

Com isso, dois jogos estão programados para essa semana após a Federação conseguir liberação de prefeituras. Nesta quarta-feira (17), às 16h, o Londrina encara o Azuriz, de Pato Branco, no Estádio dos Pássaros, em Arapongas, enquanto o Toledo recebe o Paraná Clube no Estádio 14 de Dezembro.

Vale lembrar que o Londrina não joga em casa porque, assim como Maringá, a prefeitura vetou a realização de eventos no Estádio do Café.

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