Intercept: Lava Jato agiu para influenciar na escolha do presidente do Banco do Brasil

Redação

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Uma nova reportagem do Intercept, baseada em mensagens vazadas de integrantes da Lava Jato, indicam que a força-tarefa usou a imprensa para influenciar na escolha do presidente do BB (Banco do Brasil). Conforme a publicação, os procuradores da operação trabalharam em parceria com o site Antagonista para impedir que Ivan Monteiro assumisse o cargo.

Ele foi indicação de Paulo Guedes, atual ministro da Economia do governo Jair Bolsonaro. Contudo, no final das contas, Onyx Lorenzoni, chefe da Casa Civil, resistiu ao nome e venceu a “batalha” com a nomeação de Rubem Novaes para a função.

Essa foi a 23ª reportagem do site baseada em um arquivo que contém mensagens trocadas entre figuras centrais da Lava Jato. O Intercept afirma que recebeu o conteúdo de uma fonte anônima. A Polícia Federal investiga o caso, na chamada Operação Spoofing, que também verifica ataques cibernéticos aos celulares de autoridades.

O Intercept aponta uma relação de ‘proximidade’ entre Onyx e Deltan. De acordo com os diálogos revelados, a partir uma matéria da Folha de S. Paulo sobre a resistência do nome de Ivan Monteiro por uma ala política do governo Bolsonaro, Deltan pediu aos colegas se existia algo contra Monteiro.

“Caros, o que temos do Monteiro mesmo?”, enviou o chefe da Lava Jato em Curitiba, às 17h55 do dia 21 de novembro de 2018. Athaíde Ribeiro Costa, procurador da República que atua na Lava Jato, respondeu: “De concreto nada: mas uns manuscritos apreendidos com Bendine [Alberto Bendine, condenado na Lava Jato] são mt suspeitos” (sic).

Depois, o coordenador da Lava Jato pede para os colegas aprofundarem a pesquisa. “Vc consegue identificar? Se forem públicos, essa é a hora de lembrar deles”, completa Deltan.

Horas mais tarde, já na madrugada do dia 22, Deltan encaminhou diversos materiais ao site Antagonista, que já estava fazendo publicações contra o nome de Ivan Monteiro.

De acordo com o Intercept, Bendine e Monteiro são próximos, apesar do segundo nunca ter sido indiciado ou acusado de qualquer crime por parte da Lava Jato. Vale lebrar que Alberto Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, foi acusado de receber acusado, pela Lava Jato, de receber R$ 3 milhões em propina da Odebrecht e, consequentemente, condenado a 11 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro em 2018.

Contudo, foi a primeira pessoa que conquistou a anulação da sentença dada pela operação, o que iniciou novos conflitos entre o STF (Supremo Tribunal Federal) e a Lava Jato.

LAVA JATO RESPONDE INTERCEPT

Em nota, a Lava Jato defende que não existe qualquer ‘favorecimento ou privilégio no fornecimento de informações’.

Além disso, a força-tarefa ainda diz que a reportagem do Intercept realiza “especulação sem qualquer base palpável”.

“As mensagens que são atribuídas à força-tarefa têm sido usadas de modo descontextualizado ou deturpado, para fazer acusações que não correspondem à realidade”, completa a força-tarefa.

Leia a nota do MPF em sua íntegra:

A força-tarefa Lava Jato do MPF/PR entende que uma imprensa livre tem papel essencial dentro de uma democracia, sobretudo em tempos em que a desinformação ou narrativas pré-criadas ou distorcidas ameaçam conquistas já alcançadas pela sociedade.

A relação com a imprensa foi – e é – fundamental para que toda a sociedade tenha acesso às informações do caso de modo adequado. A maioria dos pedidos da imprensa, dos mais variados veículos (jornais, revistas, TVs, rádios, sites, blogs, colunas), foi atendida dentro do prazo solicitado mediante notas, esclarecimentos verbais e entrevistas coletivas e individuais de procuradores, sempre que as informações não estão sob sigilo.

A assessoria de comunicação do MPF/PR, por exemplo, realizou, desde o início da operação, mais de 5 mil atendimentos à imprensa e 30 coletivas.

Informações de caráter público constantes nas investigações e processos da Lava Jato podem ser livremente utilizadas, sobretudo para atender o interesse público.

Além disso, todos os acessos da força-tarefa a informações protegidas por sigilo seguiram mecanismos previstos em lei. Houve quebra de sigilo, ou requisição ministerial nas hipóteses autorizadas em lei, ou atuação da Receita seguida de comunicação de crimes ao Ministério Público. O site realiza especulação sem qualquer base palpável. A justificativa de pedidos feitos pelo MPF podem ser consultadas nos autos.

A Lava Jato, sempre que percebe que jornalistas estão de posse de informações que possam comprometer operações em andamento, pode solicitar, para o bem da investigação e do interesse público, que aguardem a finalização da investigação. Embora não se reconheçam, mesmo porque não nos foram fornecidas as mensagens para análise – conforme praxe do site – as supostas mensagens, se isso ocorreu, tal conduta é lícita e recomendável para não comprometer buscas, prisões e outras medidas.

Ao longo da operação Lava Jato, foram recebidas informações sobre supostos crimes de diferentes fontes, jornalistas ou não. O procedimento adotado é realizar a investigação, o que pode ser antecedido, quando pertinente, por uma verificação preliminar da informação, autorizada pela lei.

Não há qualquer favorecimento ou privilégio no fornecimento de informações. As mensagens que são atribuídas à força-tarefa têm sido usadas de modo descontextualizado ou deturpado, para fazer acusações que não correspondem à realidade.

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