Investigada pela Lava Jato, Gleisi Hoffmann é eleita presidente do PT

Fernando Garcel


A senadora paranaense Gleisi Hoffmann foi eleita com 61,89% dos votos como a nova presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), pelos próximos dois anos. Ela vai substituir Rui Falcão, que ocupou a presidencia por seis anos, e será a primeira mulher a ocupar o cargo desde a fundação do partido. Gleisi Hoffmann e o marido, Paulo Bernardo, são réus em ações penais da Operação Lava Jato.

Em discurso, que foi transmitido pelas redes sociais, Gleisi elogiou a atuação de Rui Falcão na frente do PT naquela que ela define como “um dos momentos mais difíceis” da história.  “Tenho uma grande responsabilidade por ser a primeira mulher a presidir o PT”, afirmou Gleisi.

Ela também teceu elogios ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Estamos aqui para o que der e vier. Esse partido está com o senhor nessa caminhada pela presidência do Brasil”, declarou a nova presidente do PT.

A senadora é filiada ao partida desde 1989. Durante a carreira, ela foi ministra da Casa Civil entre 2011 e 2014, no governo de Dilma Rousseff. Ela disputou a presidência do partido com o colega de bancada, o senador Lindberg Farias, e teve sua campanha alavancada pelo apoio de Lula.

Após o discurso, a nova presidente do partido concedeu uma entrevista coletiva em que afirmou que não há como o fato de ser ré na Lava Jato “atrapalhar mais” o partido. De acordo com Gleisi, o PT foi desconstruído nos últimos anos. “Como que isso vai atrapalhar mais? O PT foi desconstruído nesse processo. O processo legal não foi respeitado na maioria dos casos. E o partido está aí”, afirmou.

Ré na Lava Jato

A senadora e o marido, o ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo, são réus em uma ação penal da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). Em setembro do ano passado, os ministros da 2ª Turma aceitaram a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR).

> STF mantém denúncia contra Gleisi e Paulo Bernardo

A ação penal investiga o recebimento de R$ 1 milhão em vantagens indevidas para a campanha dela em 2010. O dinheiro teria sido pedido por Paulo Bernardo ao ex-diretor Paulo Roberto Costa. A operacionalização dos repasses foi feita por Alberto Youssef e o empresário Ernesto Rodrigues foi quem recebeu o dinheiro.

 

 

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