Julgamento de recurso de Carli Filho é adiado

Andreza Rossini e Francielly Azevedo - CBN Curitiba


A defesa do ex-deputado Luiz Fernando Ribas Carli Filho fez um pedido de preferência à 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná, para que o julgamento do recurso do ex-parlamentar fosse julgado na próxima quinta-feira (6) .

O pedido chegou no início da sessão de hoje (29) e foi acatado pelos desembargadores, ele só pode ser feito uma vez. Trata-se de uma solicitação para que o caso seja o primeiro a ser julgado na sessão do dia, depois apenas dos casos prioritários, quando há réu preso, por exemplo. Hoje, o caso do ex-deputado estava em quarto item na pauta.

Os advogados de Carli entraram com recurso após a decisão do Tribunal do Júri, que condenou o ex-deputado a 9 anos e 4 meses de prisão por homicídio com dolo eventual, em fevereiro deste ano. Ele foi responsabilizado pelas mortes dos adolescentes Carlos Murilo de Almeida e Gilmar Rafael Yared, em uma colisão no trânsito, em 2009.

A culpa de Carli Filho não está em julgamento. A defesa questiona se o cálculo da pena foi adequado, procurando a redução. Já a o promotor do Ministério Público pede que a pena seja aumentada para 14 anos.

A deputada federal e mãe de Gilmar, Christiane Yared, afirmou que a nova data não é um problema. “Para quem já esperou dez anos, esperar mais uma semana não é problema nenhum”, afirmou. Yared. “A pena de Carli Filho tem data de validade. A minha não tem, a da minha família e dos amigos do meu filho não tem. Ela vai conosco para o túmulo”, disse.

Para o advogado da família de Gilmar, Elias Mattar Assad, o pedido é comum. “É um recurso lícito previsto no regimento do Tribunal. Temos que respeitar, é um pedido previsto em regimento. Eu mesmo já fiz esse pedido em outros julgamentos”.

Relembre o caso

O Tribunal do Júri condenou Carli Filho a 9 anos e 4 meses de prisão em regime fechado por duplo homicídio com dolo eventual, em fevereiro deste ano. A sentença ocorreu quase nove após após a colisão de trânsito.

Na madrugada do dia 7 de maio de 2009, Carli Filho dirigia a pelo menos 160 Km/h com a carteira de motorista cassada. O carro, um Passat blindado, decolou do asfalto e arrancou o teto do Honda Fit de Gilmar Rafael Yared e Carlos Murilo, que morreram antes da chegada do socorro. O ex-deputado foi levado para o hospital com um quadro grave e instável, ficou na UTI, respirando por aparelhos. Ainda no hospital, um exame indicou que Carli Filho tinha 7,8 decigramas de álcool por litro de sangue. Por ter sido feito sem consentimento, a defesa conseguiu que o teste fosse desconsiderado como prova.

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O ex-deputado responde em liberdade.

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