Justiça bloqueia R$ 166 milhões de Beto, Fernanda e André Richa

Fernando Garcel


O juiz Paulo Sérgio Ribeiro, da 23ª Vara Federal de Curitiba, atendeu ao pedido do Ministério Público Federal (MPF) e determinou o bloqueio de R$ 166 milhões das contas bancárias do ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB), sua esposa Fernanda Richa e um dos filhos, André Richa, e empresas da família que teriam sido usadas para lavar o dinheiro de propina na compra de imóveis.

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O contador Dirceu Pupo Ferreira, responsável pela administração das empresas da família Richa e apontado como intermediador da propina recebidas por concessionárias, também é alvo de bloqueio judicial de R$ 4,5 milhões.

No pedido de bloqueio de bens, o MPF apontou que Richa teria recebido cerca de R$ 4,7 milhões em propina, causado prejuízo de R$ 82,5 milhões aos usuários das rodovias paranaenses e que a multa máxima aplicada no final da ação penal chega a R$ 79 milhões.

OPERAÇÃO INTEGRAÇÃO

A segunda etapa da Operação Integração foi deflagrada em setembro para apurar irregularidades na concessão de rodovias federais do Anel de Integração, no interior do Paraná. Segundo o MPF, foram reunidas provas suficientes de arrecadação de caixa 2 junto às concessionárias, de atos de ofícios que favoreceram as concessionárias e o enriquecimento pessoal de diversos investigados, que adquiriram bens de consumo com dinheiro em espécie e receberam depósitos.

A denúncia narra, entre outros fatos, que em janeiro de 2011 foi implementado no governo estadual do Paraná esquema de pagamentos de propinas mensais de aproximadamente 2% dos valores de cada contrato vigente com os fornecedores do DER/PR. Esse esquema durou até 2014, período em que teriam sido pagos aproximadamente R$ 20 milhões em propinas. A investigação apontou que aproximadamente 70 empresas estiveram envolvidas, entre elas, as concessionárias de pedágio do Anel de Integração.

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LAVAGEM DE DINHEIRO E IMÓVEIS

Segundo a denúncia, Beto Richa não está no quadro societário da Ocaporã mas seria ele quem ditava ordens. A empresa está em nome de André Richa e da ex-primeira-dama Fernanda Richa. Em um dos exemplos citados pelos procuradores está a compra de um lote do Condomínio Paysage Beau Rivage, em Curitiba, com R$ 930 mil em espécie. O imóvel, anunciado por R$ 2 milhões, teve a escritura subfaturada no ato da compra para ocultar os valores pagos “por fora” em dinheiro vivo.

“Identificou-se que um dos destinos de parte da corrupção recebida por Beto Richa era a incorporação do dinheiro, de forma dissimulada/oculta, ao patrimônio de seus familiares, mediante atos de lavagem de dinheiro consistentes na aquisição de imóveis em nome da empresa Ocaporã Administradora de Bens, por intermédio de subfaturamento dos valores declarados no ato da compra e pagamento oculto e não declarado de parcelas em espécie aos vendedores”, narra o MPF.

De acordo com a denúncia, o dolo de André Richa é evidente uma vez que ele tinha total conhecimento sobre o valor real do imóvel, teria assinado a escritura pelo valor falso e posteriormente vendeu a propriedade por R$ 3,2 milhões. Em depoimento, ele negou a negociação com dinheiro em espécie e declarou que os valores seriam das contas bancárias da mãe. O MPF afirma que o dinheiro não teve origem nas contas bancárias da ex-primeira-dama e que a última ordem sobre as negociações eram do ex-governador.

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