Justiça aceita denúncia da Lava Jato contra Walter Faria, do grupo Petrópolis

Redação

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A Justiça Federal, através da 13ª Vara Federal de Curitiba, aceitou a denúncia oferecida pela força-tarefa da Lava Jato, do MPF-PR (Ministério Público Federal no Paraná), que aponta Walter Faria, dono do Grupo Petrópolis, como responsável por 642 atos de lavagem de dinheiro. O esquema movimentou mais de R$ 1,1 bilhão, lavados em favor da Odebrecht entre 2006 e 2014.

A denúncia, oferecida em 13 de dezembro de 2019, foi aceita na última quarta-feira (26) e é fruto da 62ª fase da operação Lava Jato, deflagrada em 31 de julho, que apurou o envolvimento de executivos do grupo Petrópolis na lavagem de dinheiro desviado de contratos públicos, especialmente da Petrobras, pela Odebrecht.

A denúncia foi rejeitada em prol de Nelson de Oliveira, parcialmente aceita em face de Wladimir Teles de Oliveira e de Marcio Roberto Alves do Nascimento e totalmente aceita em relação aos outros 20 denunciados. Os acusados têm um prazo de 10 dias para apresentar defesa no processo.

FARIA ATUOU COMO OPERADOR, APONTA INVESTIGAÇÃO

Conforme apontam as provas colhidas na investigação, Walter Faria, proprietário do grupo Petrópolis, atuou em larga escala na lavagem de ativos e desempenhou substancial papel como grande operador do pagamento de propinas principalmente relacionadas a desvios de recursos públicos da Petrobras. As evidências apontam que, além de ter atuado no pagamento de subornos decorrentes do contrato da sonda Petrobras 10.000, Faria capitaneou a lavagem de centenas de milhões de reais em conjunto com o grupo Odebrecht.

Em troca do recebimento de altas somas no exterior e de uma série de negócios jurídicos fraudulentos no Brasil, Faria atuou na geração de recursos em espécie para distribuição a agentes corrompidos no Brasil; na entrega de propina travestida de doação eleitoral no interesse da Odebrecht; e na transferência, no exterior, de valores ilícitos recebidos em suas contas para agentes públicos beneficiados pelo esquema de corrupção na Petrobras.

A estratégia de lavagem envolvia repasses feitos ao grupo Petrópolis diretamente no exterior. A Odebrecht costumava utilizar, na lavagem do dinheiro, camadas de contas estrangeiras em nome de diferentes offshores. Essa estratégia envolveu também a utilização de complexa estrutura financeira de contas no exterior relacionadas às atividades do grupo Petrópolis. De acordo com documentação encaminhada pela Suíça, foram identificadas 38 offshores distintas com contas bancárias no EFG Bank de Lugano, controladas por Faria. Mais da metade dessas contas permaneciam ativas até setembro de 2018.

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