Justiça pede que Carli Filho se apresente imediatamente para cumprimento da pena

Alexandra Fernandes


A Justiça do Paraná determinou nesta sexta-feira (24) a prisão preventiva imediata do ex-deputado Fernando Ribas Carli Filho, condenado a  sete anos, quatro meses e 20 dias de prisão em regime semiaberto. A partir deste pedido, o juiz de execução vai determinar como será cumprida a prisão.

O pedido do juiz substituto da 2ª Vara do Plenário do Tribunal do Júri de Curitiba, Thiago Flôres Carvalho, foi expedido nesta sexta-feira (24) e determina que o réu se apresente a autoridade policial.

No despacho o magistrado afirma que a decisão deveria ser sigilosa para “assegurar o cumprimento da ordem judicial, tendo em conta que a publicidade poderia frustrar a medida ou dificultar a sua satisfação.” Porém publicou a ordem de prisão, já que a defesa de Carli Filho teria tomado ciência da medida.

O ex-deputado foi condenado pelo crime de duplo homicídio com dolo eventual pelas mortes de Gilmar Rafael Souza Yared e Carlos Murilo de Almeida em um acidente de trânsito. A sentença veio em júri popular em fevereiro de 2018.

O advogado de defesa de Carli Filho, Roberto Brezinski Neto, que o cliente deve se apresentar nos próximos dias para o cumprimento da pena e que o despacho dá cumprimento a decisão do Supremo Tribunal Federal de que é possível o início do cumprimento da pena quando já houver condenação em segunda instância.

Já a defesa da família Yared, disse em nota que com a decisão o processo chega ao final e reconhece a tese de duplo homicídio com dolo eventual, sustentada desde o início pela acusação. Ainda que a família aguarda a sentença da ação indenizatória.

A mãe de Gilmar, Christiane Yared, que está no segundo mandato como deputada federal pelo Paraná, disse que o pedido de prisão traz esperança de que os crimes não ficam impunes no país. Uma das bandeiras na Câmara é a questão do trânsito. “São 10 anos de muita luta para que a justiça fosse feita. Hoje sinto que a justiça cumpre seu papel e os crimes não ficam impunes no país. Vi a sentença do assassino de meu filho e seu amigo sair. Fica a lição e jurisprudência para que crimes de trânsito não fiquem impunes no país.”, comentou sobre a decisão desta sexta-feira.

O Caso

O acidente causado pela mistura de álcool, direção e alta velocidade envolvendo o ex-deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho, que causou a morte dos jovens Gilmar Rafael Yared, de 26 anos, e Carlos Murilo de Almeida, de 20, completou 10 anos no último dia 7. Uma perícia mostrou que Carli Filho dirigia seu Passat Variant blindado, a 167 km/h no momento da colisão e testemunhas disseram que ele estava visivelmente embriagado quando deixou o bar em que estava com amigos e saiu dirigindo naquela noite. A Carteira Nacional de Habilitação (CNH) estava cassada.

Carli Filho foi condenado em júri popular a 9 anos e 4 meses de prisão, em regime fechado, mas teve a pena reduzida para 7 anos e 4 meses em regime semiaberto pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). Ele não passou nenhum dia preso e é possível que cumpra a sentença fora da prisão com uso de tornozeleira eletrônica.

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“Nós lutamos porque as pessoas acham que a morte no trânsito é uma fatalidade, mas não é. Fatalidade é um mal que não podemos evitar. Beber e dirigir, dirigir em alta velocidade, usar celular enquanto está dirigindo ou não usar o cinto de segurança é evitável. Isso depende de cada um e é mudança de comportamento”, destaca Christiane Yared.

*Matéria atualizada em 09h21.

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