Política
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Laudo aponta que bolsonarista atirou três vezes contra petista que morreu em Foz

O laudo foi elaborado pela Polícia Científica e anexado ao processo, que tramita na 3ª Vara Criminal de Foz do Iguaçu.

Redação - 26 de julho de 2022, 16:13

(Reprodução/Instagram)
(Reprodução/Instagram)

O policial penal bolsonarista Jorge Guaranho atirou pelo menos três vezes ao matar o guarda municipal petista Marcelo Arruda, de acordo com o laudo do Instituto de Criminalística do Paraná obtido pelo UOL

Segundo o documento, Arruda deu 13 tiros antes de morrer, na noite em que celebrava o aniversário de 50 anos no dia 9 de julho, em Foz do Iguaçu, na região oeste do Paraná. Após o inquérito da Polícia Civil, o Ministério Público denunciou Guaranho por homicídio qualificado com motivação política

O laudo foi elaborado pela Polícia Científica e anexado ao processo, que tramita na 3ª Vara Criminal de Foz do Iguaçu. Além disso, reforça que o carro de Guaranho não foi atingido por pedras, o que já havia sido constatado pelo exame de local e que descarta a versão da esposa do réu. 

O documento ainda aponta que as duas pistolas semiautomáticas, de Guaranho e Arruda, tinham perfeito estado para funcionamento. Foram indexadas 20 fotos, com imagens das armas e projetéis encontrados e armazenados pela Polícia Civil.

POLÍCIA AGUARDA DEPOIMENTO DE GUARANHO

A Justiça do Paraná aguarda o depoimento de Jorge Guaranho até o dia 31 de julho. O prazo foi determinado de acordo com a previsão da alta médica - o policial penal foi internado em estado grave após ser atingido por disparos de Arruda e sobreviveu. Conforme a polícia, o estado de saúde é estável.

MORTE DE PETISTA EM FOZ DO IGUAÇU

O petista Marcelo Aloízio Arruda foi assassinado no dia 9 de julho, durante a própria festa de aniversário de 50 anos.

De acordo com a Polícia Civil do Paraná, Jorge Guaranho estava em uma confraternizaçãoingeriu bebidas alcoólicas e ficou sabendo da realização de uma festa na ARESF (Associação Recreativa Esportiva Segurança Física de Itaipu), cujo salão estava decorado com balões vermelhos e imagens do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O bolsonarista chegou ao local para provocar, segundo o inquérito policial. Dentro do carro dele, era tocada uma música de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL), quando é iniciada uma discussão entre ele e o petista.

O policial penal federal apontou uma arma e, em resposta, o aniversariante jogou terra contra ele e o carro dele. Guaranho deixou o local e falou para a esposa e o filho: "Isso não vai ficar assim. Nós fomos humilhados. Eu vou retornar". 

Depois da saída, Marcelo Aloízio de Arruda põe a sua arma de trabalho na cintura. As pessoas que estavam no salão pediram para que o portão de entrada fosse fechado, porém, o bolsonarista retorna e consegue entrar mesmo assim.

Ao perceber o retorno de Jorge Guaranho, a esposa do petista tenta intervir e se apresenta como policial civil. Marcelo saca a arma e ambos ficam com o instrumento apontado um para o outro por quatro segundos, até o bolsonarista atirar.

O guarda municipal e tesoureiro do PT responde e também atinge o policial penal federal. O socorro foi acionado, mas Marcelo Aloízio de Arruda não resistiu aos ferimentos. O bolsonarista permanece internado em um hospital de Foz do Iguaçu, em estado grave.

Segundo a PCPRnão houve motivação política para a prática do crime. O indiciamento foi por motivo torpe e perigo comum. No entanto, a denúncia apresentada pelo Ministério Público aponta a divergência política como motivação.