Lava Jato afirma que Aloysio Nunes usou ‘relação pessoal’ com Gilmar Mendes para interferir em investigações

Cleverson Bravo - BandNews FM Curitiba

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A Força-Tarefa da Lava Jato no Paraná encaminhou para a Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, informações que poderiam caracterizar a suspeição ou impedimento do Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, em ações envolvendo o ex-Ministro Aloysio Nunes Ferreira e o ex-diretor da Dersa, Paulo Preto.

A Força-Tarefa destaca que foram encontrados registros de chamadas e mensagens, no celular do ex-Ministro, que sugerem que, em fevereiro, Aloysio Nunes se valeu de ‘relação pessoal’ para atuar, em interesse próprio e do ex-diretor da Dersa, junto ao Ministro Gilmar Mendes. As informações foram localizadas quando Aloysio Nunes foi alvo de mandado de busca e apreensão na fase 60 da Lava Jato, etapa em que Paulo Preto também é investigado. Segundo a Força-Tarefa, o objetivo do ex-Ministro era protelar o processo na 5ª Vara Criminal de São Paulo, através de um Habeas Corpus.

Os documentos mostram, por exemplo, a troca de mensagens com o advogado José Roberto Santoro, que na oportunidade representava Paulo Preto. No dia 10 de fevereiro, em uma das conversas, ele pergunta a Aloysio Nunes se ele tinha falado ‘com nosso amigo’.

No dia seguinte, o próprio ex-Ministro manteve contato com um ramal do gabinete de Gilmar Mendes. Dois dias mais tarde, o Ministro deferiu o Habeas Corpus. A Lava Jato chama atenção que Paulo Preto teria disponibilizado recursos ilícitos, no exterior, para Aloysio Nunes, e que o ex-diretor da Dersa é apontado como operador do PSDB. A Força-Tarefa ainda destaca que, em outro inquérito, uma investigação envolvendo Aloysio Nunes foi arquivada, antes do final das diligências, com voto favorável de Gilmar Mendes.

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