Alvo da Lava Jato, Beto Richa tem R$ 20 milhões bloqueados pela Justiça

Angelo Sfair

beto richa lava jato operação piloto bloqueio

O ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB) teve quase R$ 20 milhões bloqueados por determinação da Justiça Federal do Paraná. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (14). Alvo da Lava Jato, o tucano responde a crimes de fraude à licitação, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O bloqueio de bens e valores foi um pedido da força-tarefa Lava Jato em Curitiba no âmbito na Operação Piloto. Richa foi denunciado em meio às investigações de fraudes à licitação das obras de exploração e duplicação da PR-323, que liga as cidades de Maringá e Francisco Alves, na região noroeste do Paraná.

Além do bloqueio de quase R$ 20 milhões, a Justiça Federal indisponibilizou imóveis e veículos. Beto Richa também teve sequestrado parte de um imóvel investigado no suposto esquema de corrupção.

Desencadeada em setembro do ano passado, a Operação Piloto tem sete réus. Entre eles está o irmão de Beto Richa, José Richa Filho (Pepe Richa), e o primo do ex-governador Luiz Abi Antoun.

Richa foi preso durante o cumprimento do mandados, mas foi solto três dias depois por decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Em nota, a defesa de Richa afirma que irá se manifestar somente nos autos do processo, “diante a insistência repetitiva do Ministério Público Federal, relativamente ao tema de indisponibilidade de bens”.

Operação Piloto liga Richa à Odebrecht

A responsabilidade da duplicação da rodovia que liga Maringá a Francisco Alves, no noroeste do Paraná, foi entregue à Odebrecht em 2014. Envolvida na Lava Jato, a empreiteira não foi capaz de tocar a obra bilionária e o projeto que previa a duplicação e outras melhorias na “rodovia da morte” nunca saiu do papel.

Beto Richa iniciou o primeiro mandato como governador do Paraná em janeiro de 2011 já com a promessa de duplicação da PR-323. De acordo com o diretor da Odebrecht e delator da Lava Jato, Luiz Antônio Bueno Junior, a empreiteira começou a se envolver oficialmente na licitação em 2013.

À época, a construtora deu início aos trabalhos de estudo para a elaboração do Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), uma fase preliminar ao processo licitatório. O investimento inicial nas obras da rodovia foi estimado em R$ 1,2 bilhão apenas nos cinco primeiros anos.

Após uma série de encontros, reuniões e mudanças no edital de licitação, o contrato de concessão da PR-323 foi assinado no dia 5 de setembro de 2014.

LEIA TAMBÉM:

Previous ArticleNext Article