Lava Jato completa quatro anos: “temos muito o que fazer”, diz procuradora

Fernando Garcel e Joyce Carvalho - CBN Curitiba

O fim da Operação Lava Jato não está no horizonte, segundo a procuradora. A cada nova fase deflagrada, o Ministério Público Federal ganha acesso a uma quantidade enorme de materiais.

Com 49 fases deflagradas, 72 denúncias contra 279 pessoas, 49 casos já com sentenças, 184 condenações contra 124 pessoas e mais de 1,8 mil anos em penas somadas, a Operação Lava Jato completa quatro anos neste sábado (17). A procuradora da República Laura Tessler, integrante da força-tarefa, afirma que ainda há muito o que ser feito com o gigantesco esquema de corrupção descoberto nas investigações.

“A avaliação é positiva, uma punição efetiva, bastante dinheiro recuperado… apesar do resultado alcançado nós sabemos que não é nem o começo do combate à corrupção no País. Há muito o que se fazer e infelizmente muito do que poderia ser feito não foi concretizado, como é o caso das ’10 medidas contra a corrupção'”, aponta a procuradora.

Laura Tessler revela que há receio entre os membros da força-tarefa da Lava Jato sobre novos casos de corrupção como o que aconteceu durante o Mensalão – enquanto o caso era investigado e punido, a rede de corrupção na Petrobras era montada e funcionava livremente. “O que a gente percebeu é que o esquema de corrupção não era só na Petrobras, era muito maior e se alastrou em diversos locais e órgãos da União”, diz. A procuradora lembra o caso recente e recém julgado do ex-presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, que foi nomeado após a deflagração da operação e que perpetuou o esquema de corrupção dentro da instituição.

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Muito se fala de combate à corrupção de agentes públicos, mas a Lava Jato mostrou a corrupção pelo lado das empresas. Então a palavra “compliance”, palavra que vem do inglês e que em tradução livre seria “estar em conformidade com leis e regulamentos externos e internos”, se tornou muito comum. A procuradora da República Laura Tessler aponta que a criação de sistemas internos de combate à corrupção é o que falta para que isso seja uma cultura dentro das empresas.

“As empresas começaram a perceber os riscos que estão cometendo a cometer crimes de corrupção. Elas podem quebrar ou serem severamente punidas. Se houver uma punição efetiva isso pode significar que ela não tenha mais condição de sobreviver no mercado e não apenas sofrer um um mero dano reputacional”, diz Laura.

Fim da Lava Jato?

O fim da Operação Lava Jato não está no horizonte, segundo a procuradora. A cada nova fase deflagrada, o Ministério Público Federal ganha acesso a uma quantidade enorme de materiais. “Muitas vezes uma fase fecha outra fase, concluindo o quebra-cabeça que estava pendente lá atrás. A corrupção foi gigantesca e há muito o que se fazer”, finaliza.

Relembre dos fatos mais importantes da Operação Lava Jato

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