Procuradores respondem críticas de Lewandowski à Lava Jato

Vinicius Cordeiro

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Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato em Curitiba, e Roberson Pozzobon, procurador que trabalha na operação, responderam às declarações do ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal) em tom crítico às investigações.

Em entrevista ao El País, publicada hoje, o ministro afirmou que “as operações foram extremamente seletivas, elas não foram democráticas no sentido de pegar os oligarcas de maneira ampla e abrangente”.

“Quantas pessoas o Supremo condenou até agora na Lava Jato, quase 6 anos depois? O esquema era político-partidário, permeado de muitos detentores de foro privilegiado”, disse Deltan ao compartilhar a mensagem de Pozzobon, feita durante a manhã. “A verdade é que com a decisão do STF que impôs o fim da prisão em segunda instância as solturas não foram nem um pouco seletivas. Os oligarcas condenados foram soltos de maneira ampla e abrangente”, retrucou o procurador.

Além disso, Lewandowski também mencionou o vazamento das mensagens publicadas pelo site The Intercept no ano passado. Ele classificou as conversas como “revelações gravíssimas” e disse que precisam ser apuradas.

“Diga-se, até o momento não foram desmentidas. Agora, o Supremo já corrigiu certos desmandos que ocorreram, não só no âmbito da operação Lava Jato, mas também em outros juízos, de 1º e 2º graus”, completou o ministro do STF.

AS RECENTES BATALHAS ENTRE LAVA JATO E STF

Em dezembro, Deltan entrou com ação indenizatória, por danos morais, contra ministro Gilmar Mendes. O coordenador da Lava Jato pede R$ 59 mil por ofensas de Gilmar em uma entrevista à Rádio Gaúcha ao afirmar que a força-tarefa da operação seria uma uma organização criminosa, formada por “gente muito baixa, muito desqualificada”.

Antes, em novembro, Deltan foi punido, com advertência, pelo CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) após ter criticado ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) em uma entrevista à CBN.

“Os três mesmos de sempre do Supremo Tribunal Federal que tiram tudo de Curitiba e que mandam tudo para a Justiça Eleitoral e que dão sempre os habeas corpus, que estão sempre formando uma panelinha assim que manda uma mensagem muito forte de leniência a favor da corrupção”, declarou Deltan, comentando a decisão que tirou trechos de delações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro Guido Mantega do ex-juiz Sergio Moro, hoje ministro da Justiça.

Mesmo não explicitando os nomes, Deltan se referiu a Lewandowski, Gilmar Mendes e Dias Toffoli, que entrou com o PAD (Processo Administrativo Disciplinar).

Depois disso, Pozzobon defendeu o coordenador da Lava Jato. “Críticas respeitosas, como as que Deltan fez e faz, são fundamentais”, disse além de assinar uma nota da força-tarefa manifestando apoio a Deltan.

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