Lava Jato denuncia ex-executivos do Banco Paulista

Angelo Sfair

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Três ex-executivos do Banco Paulista foram denunciados nesta segunda-feira (10) pela força-tarefa Lava Jato. O Ministério Público Federal no Paraná (MPF-PR) acusa Tarcísio Rodrigues Joaquim, Gerson Luiz Mendes de Brito e Paulo Cesar Haenel Pereira Barreto pelos crimes de lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta de instituição financeira.

Os procuradores encontraram “fortes evidências” da participação dos acusados em um esquema para ocultar a ilegalidade das movimentações do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht — setor responsável pelo pagamento de propinas a agentes públicos e políticos. O grupo teria feito transações que somam mais de R$ 52 milhões.

Até o início do mês passado, quando foi desencadeada a 61.ª fase da operação, o trio ocupava postos relevantes no Banco Paulista. Tarcísio era titular da Diretoria de Operações Internacionais; Gerson estava à frente da Diretoria Geral de Controladoria; e Paulo Barreto, ex-executivo do Departamento de Câmbio, prestava serviços como autônomo.

Além dos ex-executivos, outras seis pessoas também foram acusadas pela Lava Jato. Todas poderão responder criminalmente por lavagem de dinheiro: os ex-executivos da Odebrecht, Fernando Migliaccio da Silva e Luiz Eduardo da Rocha Soares; e os operadores Olívio Rodrigues Junior, Vinicíus Veiga Borin, Marco Pereira de Souza Bilinski e Luiz Augusto França.


Denúncia

Segundo a Lava Jato, o esquema do Banco Paulista envolvia o Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, alvo de diversas investigações. Os seis operadores detinham o controle societário do Meinl Bank, instituição financeira localizada nas ilhas de Antígua e Barbuda (Caribe). Ali, o grupo abriu e manteve várias contas bancárias para movimentações ilícitas.

Além de salários e de participação de lucros, os sócios do Meinl Bank dividiam uma comissão de 2% sobre cada movimentação ilícita promovida pela Odebrecht naquele banco.

Os executivos que ajudavam a ocultar a propina eram Luiz Eduardo da Rocha Soares e Fernando Migliaccio, assim como os operadores financeiros Olívio Rodrigues, Vinícius Veiga Borin, Marco Pereira de Souza Bilinski e Luiz Augusto França. Eles recebiam comissões por sua atuação.

De acordo com o MPF-PR, o total da comissão era inicialmente depositada em uma conta controlada por Olívio Rodrigues Júnior, que se encarregava de distribuí-la por meio de transferências a contas bancárias de titularidade de outras offshores no exterior e, no Brasil, por intermédio de doleiros e do Banco Paulista.

Nesse último caminho da lavagem de dinheiro, a investigação apontou “fortes evidências” da participação de Paulo Cesar Haenel Pereira Barreto, Tarcísio Rodrigues Joaquim e Gerson Luiz Mendes de Brito, para dar “aparência legal” aos recursos.

Recompensa em moeda estrangeira

O trio ligado ao Banco Paulista era recompensado financeira pela atuação. Periodicamente, os integrantes do Setor de Operações Estruturadas transferiam valores em moeda estrangeira para contas no exterior em nome de offshores controladas por doleiros que, por sua vez, disponibilizavam o equivalente em reais no Brasil.

A força-tarefa Lava Jato acusa o trio do Banco Paulista de falsificar contratos de prestação de serviço para justificar as transferências.

Apenas no período de 2007 a 2015, a instituição teria efetuado pagamentos não comprovados de mais de R$ 52,2 milhões em favor de sete empresas, por meio de 434 transferências bancárias.

Outro lado

Por meio de nota, o Banco Paulista afirma que a investigação em curso diz respeito a transações específicas relacionadas à área de câmbio e que desconhecia o envolvimento de Paulo Cesar Barreto, Tarcísio Rodrigues Joaquim e Gerson Luiz de Brito em atos ilícitos.

“O Banco repudia quaisquer atos de ilegalidade e zela por um programa de Compliance efetivo e estruturado, que passou por novos mecanismos de controle a partir de 2016”, diz a nota.

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