Lava Jato denuncia oito ex-funcionários da Petrobras e agente ligado ao PMDB

Andreza Rossini

A força-tarefa do Ministério Público Federal no Paraná ofereceu denúncia contra nove pessoas pelos crimes de associação criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro no interesse de um contrato para prestação de serviços no valor de R$ 825 milhões, celebrado entre a Construtora Norberto Odebrecht e a Petrobras.

Entre os denunciados estão os ex-funcionários da estatal, Aluísio Teles Ferreira Filho, Rodrigo Zambrotti Pinaud e Ulisses Sobral Calile; o operador financeiro Mário Ildeu de Miranda; além de Ângelo Tadeu Lauria, apontado como agente que intermediava repasse de recursos ilícitos a políticos vinculados ao PMDB; e quatro executivos da empreiteira.

A denúncia decorre da 51ª fase da operação Lava Jato, deflagrada no mês de maio.

O contato

O contrato celebrado previa a prestação de serviços de reabilitação, construção e montagem, diagnóstico e remediação ambiental, elaboração de estudo, diagnóstico e levantamentos nas áreas de segurança, meio ambiente e saúde (SMS) em nove países além do Brasil. Entretanto, para garantir que a empresa fosse favorecida na disputa, executivos pagaram propina aos ex-funcionários da estatal e a operadores vinculados ao PMDB no valor de aproximadamente US$ 55 milhões, atualmente cerca R$ 200 milhões. Tais pagamentos ocorreram entre os anos de 2010 e 2012.


Como contrapartida à propina paga, a Odebrecht teve acesso a informações privilegiadas de modo antecipado sobre o projeto, inclusive à relação das empresas a serem convidadas para o futuro certame, bem como “sugeriu” alterações relacionadas ao procedimento licitatório que restringiam a competição e a favoreciam amplamente.

Dentro do esquema criminoso que tomou conta da Petrobras e que dividia as diretorias conforme os interesses políticos, as indicações e manutenções de cargo na Área Internacional eram realizadas pelo PMDB, segundo o MPG.  À época dos crimes apontados pela denúncia, o diretor que ocupava o cargo era Jorge Zelada e Aluísio Teles ocupava o cargo de gerente-geral da pasta.

Provas robustas colhidas durante a investigação e que constam na denúncia indicam a forma como a propina foi “distribuída”. Repasses de cerca de US$ 24,7 milhões foram realizados para os ex-funcionários da Petrobras por transferências em bancos estrangeiros de modo escalonado, por intermédio de diferentes contas bancárias em nomes de empresas offshores, para dificultar o rastreamento de sua origem e natureza ilícitas.

Os elementos colhidos indicam ainda que aproximadamente US$ 31 milhões foram destinados a agentes que se apresentavam como intermediários de políticos vinculados ao então PMDB.

O pagamento neste núcleo se deu por meio da utilização de contas mantidas por operadores financeiros no exterior, que tratavam de disponibilizar o valor equivalente em moeda nacional, em espécie e no Brasil, ao encarregado pelo recebimento e distribuição do dinheiro aos agentes vinculados ao PMDB.

Post anteriorPróximo post
Comentários de Facebook