Lava Jato denuncia Paulo Preto pela segunda vez

Angelo Sfair

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Preso desde fevereiro, o empresário Paulo Vieira de Souza, mais conhecido como ‘Paulo Preto‘, foi denunciado mais uma vez nesta segunda-feira (24) pela força-tarefa Lava Jato no Ministério Público Federal do Paraná (MPF-PR). Desta vez ele é acusado pela lavagem de US$ 400 mil, em 2016.

Paulo Preto é apontado como operador de propinas do PSDB. Segundo a Lava Jato, o ex-diretor da Dersa (estatal paulista para Desenvolvimento Rodoviário) transferiu a quantia de sua conta na Suíça, mantida no nome da offshore Groupe Nantes, para uma conta titularizada pela offshore Prime Cheer Ktd., mantida em uma instituição financeira sediada em Hong Kong.

Essa instituição seria controlada pelo doleiro Wu-Yu Sheng, que atuava em parceria com o ex-advogado da Odebrecht Rodrigo Tacla Duran. Segundo o MPF, o operador teria recebido os valores em dólares, no exterior, e devolvido em reais para Paulo Preto no Brasil.

A força-tarefa alega ter identificado quatro depósitos de Duran para Vieira de Souza: R$ 400 mil, R$ 400 mil, R$ 450 mil e R$ 130 mil.

Justiça determina bloqueio de bens de Paulo Preto

Novo pedido de prisão

Mesmo preso, Paulo Preto é alvo de um novo mandado de prisão. Com base em novas informações e provas recebidas via cooperação internacional, a força-tarefa pediu à Justiça Federal em Curitiba a decretação de uma nova prisão cautelar para Paulo Vieira de Souza.

Segundo os procuradores, ficou evidenciado que, em liberdade, o operador persistiu dissipando o seu patrimônio obtido ilicitamente a partir de uma conta bancária nas Bahamas.

Essa conta teria recebido, no início de 2017, cerca de US$ 34 milhões que o operador de propinas do PSDB matinha na Suíça. Além do montante inicial, entre 2017 e 2019, Paulo Preto ainda enviaria outros US$ 5 milhões para a mesma conta nas Bahamas, por meio de sete transferências internacionais.

Outras investigações

Paulo Preto está preso preventivamente no Complexo Médico-Penal (CMP), em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Foi a terceira prisão do ex-diretor da Dersa.

Depois de ser solto duas vezes por ordem do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes, o homem apontado como operador de propinas do PSDB foi detido pela terceira vez em fevereiro de 2019, a pedido da força-tarefa Lava Jato no Paraná.

Paulo Preto já foi condenado a mais de 170 anos de prisão por crimes como peculato e formação de cartel. A punição está relacionada a desvios em obras do trecho sul do Rodoanel e do Sistema Viário de São Paulo.

Em um dos processos, o MPF aponta que Souza teria desviado ao menos R$ 27 milhões em valores não-corrigidos desde que havia assumido o cargo de diretor da empresa estatal paulista Desenvolvimento Rodoviário (Dersa), em 2007.

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