Lava Jato denuncia Jucá, Raupp e outros quatro por corrupção e lavagem de dinheiro

Redação

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Os ex-senadores Romero Jucá (MDB-RR) e Valdir Raupp (MDB-RO), além de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, tiveram a denúncia por lavagem de dinheiro e corrupção retificada pela Operação Lava Jato, do MPF/PR (Ministério Público Federal no Paraná) na última sexta-feira (14). Além dos três, também foram denunciados: Luiz Maramaldo, Nelson Maramaldo, executivos da NM Engenharia, e Fernando Reis, ex-presidente do Grupo Odebrecht.

Os seis são apontados como os responsáveis por pagamentos ilícios aos senadores em 2008, 2010 e 2012 por contratos celebrados pela NM Engenharia com a Odebrecht Ambiental com a Transpecto. Agora, a força-tarefa pede reparação de danos em favor da Transpetro e perdimento de bens no valor de R$ 2.800.000,00, reforçando a denúncia inicial feita pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

As investigações começaram em um inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal), já que os investigados possuem foro privilegiado. Eles foram denunciados, pela PGR, pela primeira vez em agosto de 2017, assim como Renan Calheiros, José Sarney e Garibaldi Alves Filho. Entretanto, o STF determinou extinta a punibilidade dos três visto a prescrição dos fatos.

Romero Jucá e Valdir Raupp perderam o foro e, em fevereiro de 2019, o STF encaminhou a investigação para a Justiça Federal do Rio de Janeiro. Três meses depois, o ministro Edson Fachin, do STF, reforçou a competência da Justiça Federal do Paraná para casos envolvendo a Transpetro. Ou seja, o processo está sob responsabilidade da 13ª Vara Federal de Curitiba, mas os autos foram recebidos na capital paranaense no último mês de dezembro.

“Crimes de poder precisam de uma resposta rápida e justa e a força-tarefa continuará a fazer seu trabalho com o objetivo de fazer com que o crime não compense”, diz o procurador da República Marcelo Ribeiro, integrante da Lava Jato em Curitiba.

DENÚNCIA CONTRA JUCÁ, RAUPP E SÉRGIO MACHADO

A NM Engenharia e Odebrecht Ambiental, em razão dos contratos que mantinham na Transpetro, e para continuar participando de licitações, pagavam propinas aos integrantes do MDB, que compunham o núcleo responsável pela sustentação de Sérgio Machado como presidente da Transpetro.

Em contrapartida, Machado garantia a continuidade dos contratos e expedição de futuros convites para licitações.

Em setembro de 2008, Luiz e Nelson Maramaldo, executivos da NM Engenharia, pagaram propinas disfarçadas de doações eleitorais oficiais no valor de R$ 100 mil. A empresa efetuou o repasse para o Diretório Estadual do MDB (Movimento Democrático Brasileiro) de Roraima, que era presidido, na época, por Jucá. Dessa forma, a propina abasteceu a campanha de Elton Vieira Lopes, candidato à prefeitura de Mucajaí no estado.

Já em setembro de 2012, o ex-senador Valdir Raupp recebeu R$ 1 milhão da Odebrecht Ambiental. Fernando Reis, que estava na presidência do Grupo Odebrecht, utilizou a Barro Novo Empreendimentos Imobiliários S.A (uma das empresas do grupo) para fazer duas doações eleitorais oficiais no valor de R$ 500 mil para o Diretório Nacional do MDB. Ainda conforme a denúncia, Raupp era o presidente do partido e solicitou o valor para ser destinado à campanha de Gabriel Chalita, candidato à prefeitura de São Paulo. As doações foram feitas nos dias 17 e 19 daquele mês, e consequentemente repassadas à campanha de Chalita.

Já no dia 3 de dezembro de 2019, o STF recebeu a denúncia pela prática dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

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