Operação Lava Jato denuncia Sérgio Machado em esquema com estaleiro norueguês

Angelo Sfair

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O ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado e o operador financeiro Paulo Cesar Chafic Haddad foram denunciados novamente pela força-tarefa da Operação Lava Jato em meio a investigações que envolvem uma empresa da Noruega. Eles são acusados por corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro. Segundo o MPF (Ministério Público Federal), eles pagaram pelo menos R$ 13,5 milhões em propinas para beneficiar a Noroil Empresa de Navegação Ltda. e o estaleiro norueguês Vilken Hull.

Em contrapartida, as empresas teriam sido beneficiadas em contratos com a Transpetro, subsidiária de logística da Petrobras.

A denúncia foi apresentada à 13.ª Vara Federal de Curitiba, onde correm os processos relacionados à Operação Lava Jato na primeira instância, e divulgada nesta quarta-feira (03) pela Procuradoria da República no Paraná (PR-PR). As investigações apontam que, da mesma maneira como acontecia na Petrobras, o esquema de pagamentos de propinas e direcionamento de licitações se estendeu para a Transpetro.

Sérgio Machado, indicado ao cargo de presidente da subsidiária pelo MDB, arrecadava propinas para seus padrinhos políticos. Ele cobrava vantagens indevidas para direcionar contratos públicos ou fornecer informações sigilosas para as empresas dispostas a fraudarem as licitações.

A denúncia divulgada hoje narra que, em 2010, o ex-presidente da Transpetro pediu R$ 11,9 milhões para garantir a contratação da Noroil, representada pelo operador Paulo Haddad, que também foi denunciado. O dinheiro, segundo os procuradores, beneficiou tanto Sérgio Machado quanto seus aliados políticos do MDB.

Neste mesmo rol de investigações, entre julho de 2011 e janeiro de 2012, Machado pediu mais R$ 1,6 milhão em propina a Paulo Haddad. Nesta ocasião, o operador financeiro representava a empresa Viken Hull, que viria a fornecer um navio para a Transpetro por 10 anos.

Somados, os casos representam propinas de R$ 13,5 milhões. A força-tarefa da Operação Lava Jato aponta que dinheiro foi lavado por meio de uma conta offshore mantida no exterior por Paulo Haddad. De lá, o dinheiro foi para a Suíça, onde passou por contas de dois filhos de Sérgio Machado antes de ser repatriado ao Brasil.

A procuradora da República Jerusa Burmann Viecili destaca o envolvimento de empresas estrangeiras nos esquemas investigados pela Operação Lava Jato.

“Isso só acontece porque o Brasil é visto externamente como o paraíso da impunidade. Se houvesse efetividade no combate à criminalidade organizada e sofisticada no país, haveria também maior preocupação internacional com o respeito à legislação brasileira”, afirma.

Com esta denúncia, a força-tarefa da Operação Lava Jato no Paraná chega a 14 acusações no ano de 2019, superando os pedidos para aberturas de ações penais feitos no ano passado. Entre os acusados do primeiro semestre estão o presidente nacional do MDB, Romero Jucá; o ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB); e o empresário Paulo Vieira Souza, apontado como operador de propinas do PSDB paulista.

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