Lava Jato investiga repasses de grupo de telefonia para empresa de filho de Lula

Redação


A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (10), em cooperação com o Ministério Público Federal e Receita Federal, a 69ª fase da Operação Lava Jato, denominada Mapa da Mina. A ação investiga repasses do Grupo Oi/Telemar para empresas de Fábio Luis Lula da Silva, um dos filhos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“As evidências indicam que o maior ativo que o Grupo Oi/Telemar buscava na contratação da Gamecorp, era no fato de que um dos seus sócios era o filho do ex-presidente da República. Isso de fato se mostrou ao longo da investigação. Os dados bancários nos mostraram, por exemplo, que de todos os valores recebidos pela Gamecorp, entre 2005 e 2016, 70% foram do grupo Oi/Telemar”, afirmou o procurador da República Roberson Pozzobon.

Ao todo, são 47 mandados de busca e apreensão nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e no Distrito Federal – expedidos pela 13ª Vara Federal em Curitiba. Cerca de 200 Policiais Federais, com o apoio de 15 Auditores Fiscais da Receita Federal, cumprem as ordens judiciais.

“O objeto hoje é a coleta de produtos de prova para apuração de crimes de corrupção ativa e passiva, organização criminosa, tráfico de influência internacional e lavagem de dinheiro”, destacou o delegado Sergio Buzato, superintendente regional da PF em Exercício.

O inquérito policial teve início a partir de evidências colhidas na 24ª fase da operação Lava Jato etapa da Lava Jato, quando o ex-presidente Lula foi levado a depor. O nome da operação foi extraído de arquivo eletrônico de apresentação financeira interno do grupo econômico, contido em material apreendido na 24ª fase da Lava Jato, o qual indicaria como “mapa da mina” as fontes de recursos advindas da maior companhia de telefonia investigada. O real significado da expressão também é objeto das apurações.

Segundo a PF, as evidências indicam que os serviços contratados pelo citado grupo econômico nos principais casos foram realizados em patamares ínfimos ou não foram prestados, apesar dos pagamentos recebidos integralmente. O montante dos repasses apurado até o momento chega a R$ 193 milhões, ocorridos entre 2005 e 2016.

A reportagem procura pelos citados.

INVESTIGAÇÃO

Segundo o MPF, provas documentais colhidas, como contratos e notas fiscais, além de dados extraídos a partir do afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, indicam que as empresas do grupo Oi/Telemar investiram e contrataram o grupo do filho de Lula sem a cotação de preços com outros fornecedores, fizeram pagamentos acima dos valores contratados e praticados no mercado, assim como realizaram pagamentos por serviços não executados.

Também foi apreendida mensagem eletrônica encaminhada para Diretor e Conselheiro do grupo Oi/Telemar na qual consta uma planilha com a informação de que um repasse, realizado em abril de 2009 para uma empresa de Fábio, no valor de R$ 900 mil, fora deduzido da conta corporativa da Presidência do grupo Oi/Telemar e classificado como custo de “assessoria jurídica”. Trata-se de justificativa aparentemente incompatível com o objeto social da empresa: “desenvolvimento e gestão de canais para distribuição em TV por assinatura; produção de programas de televisão, cinematográficos e audiovisuais; e outras atividades relacionadas”.

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