Lava Jato: Justiça aceita denúncia sobre esquema envolvendo Jurong e Petrobras

Redação

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A 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba acolheu a denúncia da Operação Lava Jato contra o ex-presidente da Jurong no Brasil, Martin Cheah Kok Choon, e o operador financeiro Guilherme Esteves de Jesus. Eles são acusados de corrupção e lavagem de dinheiro, que totalizam mais de R$ 100 milhões, envolvendo sete contratos da multinacional com a Petrobras para o afretamento de navios sonda.

A decisão do juiz Luiz Antônio Bonat foi despachada nesta quinta-feira (28).

Conforme a Lava Jato, as propinas foram pagas por meio de transferências em contas secretas mantidas por Guilherme Esteves em Liechtenstein para, contas secretas dos ex-executivos da Petrobras Renato Duque, Pedro Barusco e Eduardo Musa, além do empresário João Ferraz, na Suíça. Os atos de corrupção tinham o aval Martin Choon.

A operação ainda verificou que parte do lucro ilícito com os atos de corrupção foram repassados para Martin mediante transferências bancárias no exterior por intermédio de contas não declaradas, mantidas por ambos em nome de offshores. A Lava Jato afirma comprovar que Guilherme transferiu mais de US$ 9 milhões ao então presidente da Jurong no Brasil.

Planilhas identificadas em dispositivos eletrônicos apreendidos no endereço de Guilherme Esteves demonstraram o pagamento de propina e a divisão efetiva com Martin.

Além disso, a denúncia também contempla uma série de atos de lavagem de dinheiro, praticados por Guilherme, consistente na realização de sucessivas transferências bancárias entre as várias contas secretas mantidas no exterior. A prática desses atos na lavagem de dinheiro busca criar um distanciamento maior entre a origem e o destino do dinheiro ilícito, dificultando o rastreamento das autoridades.

Por fim, a Lava Jato ressalta que as diligências realizadas pelo MPF (Ministério Público Federal) durante as investigações, entre eles pedidos de cooperação internacional endereçados para autoridades da Suíça e de Liechtenstein, permitiram o rastreio dos valores ilícitos desviados do Brasil.

No total, as transferências consecutivas realizadas pelos denunciados no exterior atingiram o montante de pelo menos US$ 24.507.238,65, equivalente a mais de R$ 100 milhões.

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