Após cinco anos de Lava Jato, criminosos ainda ‘apostam na impunidade’, diz procurador

Redação


As investigações que deram origem à Operação Quinto Ano, 59ª fase da Lava Jato, deflagrada hoje (31), têm como base 36 contratos firmados entre a Transpetro e o Grupo Estre nas áreas ambiental, de reabilitação de dutos e construção naval.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a soma do valor dos contratos ultrapassa os R$ 682 milhões, entre 2008 e 2014. Também foram identificados pagamentos ilícitos de mais de R$ 22 milhões.

Para o procurador da República, Júlio Noronha, após quase cinco anos de Lava Jato, é “impressionante que alguns criminosos ainda apostem na impunidade”.

“Há empresas e pessoas com milhões de reais transacionados sem explicação econômica e documental plausível que são alvos desta investigação, que ainda tem muito por avançar. A melhor chance para aqueles que receberam e intermediaram propinas é sair das sombras voluntariamente e colaborar com a Justiça”, disse.

Segundo o procurador da República Roberson Pozzobon, na maioria dos esquemas criminosos apurados na Operação Lava Jato, também foi comprovado o comprometimento de agentes públicos amparados por um braço político-partidário. “O esquema de corrupção cuja investigação se aprofunda hoje não foge a essa regra. O ex-presidente da Transpetro, indicado e mantido no cargo pelo então PMDB , explicou que parte das propinas que recebeu foi destinada a importantes políticos do partido. É essencial que as investigações avancem e os fatos sejam completamente esclarecidos”, afirma.

De acordo com o MPF, as investigações tiveram como ponto de partida a delação de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, indicado e mantido no cargo pelo então PMDB. O colaborador revelou que ajustou com Wilson Quintella, acionista e ex-presidente de empresas do Grupo Estre, o pagamento de propinas de pelo menos 1% dos contratos firmados pelo Grupo Estre (Estre Ambiental, Pollydutos e Estaleiro Rio Tietê) com a estatal.

As propinas foram pagas por Quintella em espécie para Sérgio Machado e seus emissários. Foram realizadas várias operações de lavagem de dinheiro, que envolveram também o escritório de advocacia Mauro de Morais Sociedade de Advogados. A Receita Federal apurou que o escritório recebeu, entre 2011 e 2013, cerca de R$ 22,3 milhões de empresas do Grupo Estre, sem que tenha prestado efetivamente qualquer serviço.

A análise da movimentação financeira dos investigados demonstrou, ainda, que, logo após a realização dos depósitos nas contas controladas por Mauro Morais, ocorriam saques fracionados em espécie – uma forma de burlar os controles do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

No período, o advogado foi responsável por sacar mais de R$ 9,5 milhões.

Segundo Sérgio Machado e seus emissários, os valores em espécie foram entregues no próprio escritório por um ex-executivo do Grupo Estre e homem de confiança de Wilson Quintella e de Mauro Morais.

De acordo com o MPF, as provas apontam para a existência de um esquema criminoso que “pode ter ido além da Transpetro”. Além dos R$ 22 milhões já identificados na lavagem realizada pelo escritório de Mauro de Morais, depoimentos convergentes de Paulo Roberto Costa, Luiz Fernando Nave Maramaldo e Adir Assad apontam que a atuação criminosa de Wilson Quintella e seu grupo possivelmente alcançou outras áreas, inclusive do sistema Petrobras.

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