Força-tarefa Lava Jato nega manobras para investigar Gilmar Mendes

Angelo Sfair

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O MPF (Ministério Público Federal) negou que procuradores da força-tarefa Lava Jato em Curitiba tenham investigado pessoas com foro privilegiado, como o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal). A entidade se manifestou por meio de nota, nesta terça-feira (6), em resposta a uma reportagem da edição brasileira do jornal espanhol El País.

“Não surgiu nas investigações nenhum indício de que cartões da conta de Paulo Vieira de Souza tenham sido emitidos em favor de qualquer autoridade sujeita a foro por prerrogativa de função. Qualquer ilação nesse sentido, por parte de quem for, seria mera especulação”, argumentou em nota a força-tarefa do MPF.

Em parceira com o The Intercept Brasil, o jornal El País indicou que os procuradores da Lava Jato em Curitiba fizeram um esforço para coletar dados e informações sobre Gilmar Mendes. A diligência teria o objetivo de pedir a suspeição ou até mesmo o impeachment do ministro da Suprema Corte.

Segundo o El País, no dia 19 de fevereiro, os procuradores da força-tarefa usaram um grupo no Telegram para debater estratégias de investigações que poderiam ligar o magistrado ao engenheiro Paulo Vieira de Souza. Apontado como operador de propinas do PSDB de São Paulo, havia sido preso novamente em um desdobramento da Lava Jato.

Naquela ocasião, ‘Paulo Preto’ era preso suspeito de operar contas e cartões em bancos sediados na Suíça. Entre os possíveis beneficiários estavam tucanos, como o ex-chanceler Aloysio Nunes. Meses antes, em maio de 2018, o ex-diretor da Dersa havia sido solto graças a um habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes.

“Mas vaaaai que”

A partir destes fatos, os procuradores da 1.ª instância debatem pelo Telegram ideias de como rastrear uma possível ligação entre Paulo Preto e Gilmar Mendes.

“Gente essa história do Gilmar hoje!! […] Justo hoje!!! […] Que Paulo Preto foi preso”, escreveu o coordenador da força-tareda, Deltan Dallagnol.

“Vai que tem um [cartão] para o Gilmar…hehehe”, respondeu o procurador Roberson Pozzobon.

Outro procurador da força-tarefa, Athayde Ribeiro da Costa, teria reagido com ironia à teoria apontada pelo colega: “vc estara investigando ministro do supremo, robinho.. nao pode”.

Ao que Pozzobon reage com risadas: “Ahhhaha. […] Não que estejamos procurando. Mas vaaaai que”.

Depois disso, Deltan Dallagnol especula a possiblidade de pedir às autoridades suíças informações sobre os cartões emitidos por Paulo Preto no país europeu.

“Hummm acho que vale falar com os suíços sobre estratégia e eventualmente aditar pra pedir esse cartão em específico e outros vinculados à mesma conta”, escreveu.

Força-tarefa nega investigação contra Gilmar Mendes

Por meio de nota, a força-tarefa Lava Jato em Curitiba afirmou que “em todos os casos em que há a identificação de pagamentos de vantagens indevidas e lavagem de ativos no exterior, o Ministério Público busca fazer o rastreamento do destino de todos os ativos ilícitos, para identificar os destinatários desconhecidos”.

No entanto, reforçou que não investiga na 1.ª instância pessoas com foro privilegiado, como é o caso do ministro do STF Gilmar Mendes.

“Sempre que surgem indícios do envolvimento em crimes de pessoas com foro privilegiado, a força-tarefa encaminha as informações à procuradoria-geral da República e ao Supremo Tribunal Federal, na linha da jurisprudência dessa Corte”, diz a nota.

MPF também disse não reconhecer as mensagens que têm sido atribuídas a procuradores da República nas últimas semanas. “O material é oriundo de crime cibernético e tem sido usado, editado ou fora de contexto, para embasar acusações e distorções que não correspondem à realidade”.

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