Força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro prende ex-presidente Michel Temer

Fernando Garcel


Um desdobramento da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro prendeu na manhã desta quinta-feira (21) o ex-presidente da República Michel Temer (MDB). O ex-ministro de Minas Energia Moreira Franco também é um dos alvos de mandados de prisão.

Os mandados de prisão preventiva – aqueles em que o alvo não tem previsão sobre sua soltura – foram expedidos pelo juiz da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, Marcelo Bretas. A prisão de Temer aconteceu em sua residência em São Paulo. Moreira Franco foi localizado em uma de suas residências, no Rio de Janeiro, por volta das 11 horas.

Segundo o G1, o ex-presidente deve ser levado até o Aeroporto de Guarulhos e de lá embarcar em uma aeronave da Polícia Federal para o Rio de Janeiro.

Além dos dois, a Operação Descontaminação cumpriu outros seis mandados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Distrito Federal.

Inquérito dos Portos

Em dezembro do ano passado, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, denunciou Temer e mais cinco investigados ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro no inquérito que investiga o esquema de corrupção no suposto favorecimento da empresa Rodrimar S/A na edição do chamado Decreto dos Portos.

De acordo com a denúncia apresentada ao STF, foi apurado um “esquema antigo envolvendo o pagamento de vantagens indevidas a Michel Temer” por meio da empresa Rodrimar, que atua no Porto de Santos.

De acordo com a procuradoria, Temer teria começado a atuar em negociações envolvendo o setor portuário por volta de 1998, quando era deputado federal e fez as primeiras indicações para a Companhia das Docas do Estado de São Paulo (Codesp).

No entendimento da PGR, o Decreto dos Portos ampliou a duração de contratos das empresas envolvidas e teriam sido intermediadas pelo ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures.

Delação da Odebrecht

A 51ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Dejà Vu, deflagrada em maio do ano passado, mirou as relações entre o MDB e Odebrecht.

Em delação, o ex-presidente da Odebrecht Engenharia Márcio Faria declarou que o MDB negociou 5% do contrato PAC-SMS firmado em 2010 entre a área internacional da Petrobras e a empreiteira. O valor do contrato foi de mais de US$ 825 milhões (R$ 2,9 bilhões).

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Faria afirmou que houve um encontro com Temer e outras pessoas da legenda, incluindo o ex-deputado Eduardo Cunha, para tratar do acordo. O delator afirma que, na reunião, os envolvidos não falaram sobre valores, mas que o encontro tratava de propina relacionada ao contrato.

Temer citado em outras investigações

O ex-presidente responde a diversos inquéritos e chegou a ser citado como destinatário de propinas pagas ao MDB pelo delator e ex-gerente geral para a América Latina da Petrobras Aluísio Teles Ferreira Filho, no âmbito da Lava Jato.

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Segundo o delator, parte da propina paga pela Odebrecht à diretoria internacional da Petrobras por contratos de serviços de reabilitação, construção e montagem, diagnóstico e remediação ambiental, elaboração de estudo, diagnóstico e levantamentos nas áreas de segurança, meio ambiente e saúde (SMS) em nove países além do Brasil, foi destinada a Michel Temer e ao ex-deputado federal Eduardo Cunha.

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