Lava Jato responde PGR e sugere que órgão fez “diligências sem fundamento claro”

Jorge de Sousa

Lava Jato responde PGR e sugere que órgão fez "diligências sem fundamento claro"

O embate entre a Força Tarefa da Lava Jato em Curitiba e a PGR (Procuradoria Geral da República) ganhou novo capítulo nesta quarta-feira (1°).

Após a PGR apontar que o compartilhamento de informações entre as instituições tem respaldo legal -usando como exemplo decisões do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, a Lava Jato sugeriu que o pedido do órgão não tinha fundamento claro.

Uma das decisão citadas pela PGR, foi realizada no ano de 2015, quando Moro – então juiz federal, atendeu a solicitação do procurador da Força Tarefa da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dellagnol, para liberar o compartilhamento de provas, informações colhidas no processo, ações penais, inquéritos e procedimentos conexos.

A Lava Jato se defendeu apontando que esses pedidos se justificam apenas em casos que sejam preenchidos os requisitos para a autorização da adoção do método especial de investigação, desde que visem o interesse público.

Mas para a PGR todo o material que tenha sido obtido legalmente por membros do MPF (Ministério Público Federal) deve ser entregue para a instituição.

Já os procuradores em Curitiba entendem que esse apoio mútuo entre as unidades do MPF não deve ser mantido em caso de “diligências sem fundamento claro, objeto e objetivo possam incluir o acesso indiscriminado a materiais probatórios”.

CASO LINDÔRA ARAÚJO INICIOU TROCA DE FARPAS

A troca de farpas entre a Força Tarefa da Lava Jato em Curitiba e a PGR se iniciou na última sexta-feira (26), quando procuradores da Lava Jato deixaram o grupo da investigação em Brasília.

Os procuradores alegaram que a subprocuradora-geral da PGR, Lindôra Araújo, solicitou em uma visita em Curitiba dados sigilosos de investigações em diversos estados.

Na época, a PGR disse estranhar a reação dos procuradores e a divulgação dos temas, internos e sigilosos, para a imprensa.

Já a Força Tarefa da Lava Jato em Curitiba apontou que os procuradores que deixaram Brasília são competentes, dedicados, experientes e amplamente comprometidos com a integridade, a causa pública e o combate à corrupção e enfrentamento da macrocriminalidade.

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