Política
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Decepcionado com STF, procurador vê esperança para sentenças da Lava Jato não serem anuladas

Procurador e membro da força-tarefa da Lava Jato, Roberson Pozzobon disse, nesta sexta-feira (27), que há esperança para..

Vinicius Cordeiro - 27 de setembro de 2019, 13:18

PR - LAVA JATO - POLÍTICA -   Roberson Pozzobon, Procurador da República  durante coletiva de imprensa da 51ª da Operação Lava Jato, denominada Operação Deja Vu, na Sede da Superintendência da Policia Federal em Curitiba nesta terça-feira (08). Aproximadamente 80 policiais federais cumprem 23 ordens judiciais nos estados do Rio de Janeiro, Espirito Santo e São Paulo, sendo  04 mandados de prisão preventiva, 02 mandados de prisão temporária e 17 mandados de busca e apreensão.
Foto: Geraldo Bubniak/AGB
PR - LAVA JATO - POLÍTICA - Roberson Pozzobon, Procurador da República durante coletiva de imprensa da 51ª da Operação Lava Jato, denominada Operação Deja Vu, na Sede da Superintendência da Policia Federal em Curitiba nesta terça-feira (08). Aproximadamente 80 policiais federais cumprem 23 ordens judiciais nos estados do Rio de Janeiro, Espirito Santo e São Paulo, sendo 04 mandados de prisão preventiva, 02 mandados de prisão temporária e 17 mandados de busca e apreensão. Foto: Geraldo Bubniak/AGB

Procurador e membro da força-tarefa da Lava Jato, Roberson Pozzobon disse, nesta sexta-feira (27), que há esperança para que nem todas as condenações da operação sejam anuladas. A declaração vem após ter dito, pelo Twitter, estar decepcionado com as recentes decisões do STF.

Ontem, a maioria dos ministros se disseram a favor da tese que réus delatados devem apresentar alegações finais após os delatores. Com isso, 32 sentenças já expedidas na Lava Jato, incluindo o ex-presidente Lula no caso do sítio de Atibaia, correm riscos de serem anuladas.

"Existe uma decisão do Supremo em vias de ser concluída e decisões do Supremo se cumprem. A esperança que temos é que essa decisão seja modulada para surtir efeitos só daqui para frente", avaliou na entrevista coletiva sobre a 66ª fase da Lava Jato, deflagrada hoje (27).

Contudo, Pozzobon ainda questionou a decisão e elaborou questões que devem ser discutidas no âmbito jurídico.

"Será que essa ausência de deferimento do prazo privilegio para o réu não colaborador apresentar suas alegações finais causou prejuízo no caso concreto? Eles estão comprovando que foram prejudicados ou será que se decretará a nulidade de sentenças condenatórias para, logo depois, os réus simplesmente retificarem as alegações que já tinham apresentado na época dos fatos? Houve, de fato, prejuízo concreto ou não? Trata-se de uma simples formalidade ou não?"

DECEPCIONADO

Pozzobon já havia se manifestado, pelo Twitter, sobre a decisão do STF na noite da quinta-feira (26).

Ele publicou um trecho de "O Encontro Marcado", obra do consagrado escritor Fernando Sabino: "De tudo ficaram três coisas... A certeza de que estamos começando... A certeza de que é preciso continuar... A certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar".

Depois, afirmou estar decepcionado, mas disse que a Lava Jato precisa continuar. "Sinto uma profunda decepção pelas decisões tomadas pela maioria do congresso e do stf nessa semana. Desanimar seria a opção mais lógica e cômoda, mas é preciso continuar. A Lava Jato já tem 5 anos, mas a luta anticorrupção está apenas começando".

https://twitter.com/RHPozzobon/status/1177397233467166721

SILÊNCIO SOBRE A DECLARAÇÃO DE JANOT

Por fim, Pozzobon - e ninguém da força-tarefa presente na coletiva - não quis comentar sobre a forte declaração de Rodrigo Janot.

O ex-procurador-geral da República, disse à Folha de S. Paulo e à revista Veja, que já foi ao STF (Supremo Tribunal Federal) armado para matar o ministro Gilmar Mendes.

Ele foi questionado se a afirmação de Janot poderia abalar a Operação Lava Jato e se isso poderia dar munição ao ministro Gilmar Mendes, que vê os procuradores como pessoas que buscam o poder.

"O tocante a declaração do ex-PGR não tem comentários sobre isso, é algo que não merece nossos comentários", disse.