Política
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Lava Jato minimiza importância de Léo Pinheiro para a condenação de Lula

A força-tarefa Lava Jato no MPF-PR (Ministério Público Federal no Paraná) veio a público neste domingo (30) minimizar a ..

Angelo Sfair - 30 de junho de 2019, 16:07

***FOTO DE ARQUIVO*** CURITIBA, PR, 05.09.2016 - O ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, chega no IML (Instituto Médico Legal) de Curitiba onde realiza exame de corpo de delito, após ser levado por condução coercitiva durante nova operação da PF denominada &quotOperação Greenfield&quot. (Foto: Paulo Lisboa/Brazil Photo Press/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO*** CURITIBA, PR, 05.09.2016 - O ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, chega no IML (Instituto Médico Legal) de Curitiba onde realiza exame de corpo de delito, após ser levado por condução coercitiva durante nova operação da PF denominada &quotOperação Greenfield&quot. (Foto: Paulo Lisboa/Brazil Photo Press/Folhapress)

A força-tarefa Lava Jato no MPF-PR (Ministério Público Federal no Paraná) veio a público neste domingo (30) minimizar a importância do empresário Léo Pinheiro na condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por meio de nota, os procuradores afirmam que o processo relacionado ao triplex do Guarujá (SP) " foi baseado em amplo conjunto de provas".

A nota do MPF foi publicada no dia em que a Folha de S. Paulo, em conjunto com o The Intercept Brasil, revelou novos trechos de conversas entre procuradores da República. O conteúdo sugere que a própria força-tarefa tinha desconfianças em relação ao ex-presidente da construtora OAS, que em depoimento à Justiça Federal no Paraná incriminou Lula no processo que o levou à prisão.

Diz o jornal, com base na análise do material obtido por uma fonte anônima do The Intercept, que "as mensagens indicam que Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS, só passou a ser considerado merecedor de crédito após mudar diversas vezes sua versão sobre o apartamento tríplex de Guarujá (SP) que a empresa afirmou ter reformado para o líder petista".

O empreiteiro só apresentou a versão que incriminaria Lula em abril de 2017. Na ocasião, Léo Pinheiro já negociava um acordo de colaboração premiada com o MPF-PR havia mais de um ano. A delação estava emperrada porque os procuradores não acreditavam na força dos anexos, mas avançou após o depoimento de Pinheiro ao então juiz da Lava Jato Sergio Moro, atual ministro da Justiça e Segurança Pública do governo de Jair Bolsonaro (PSL).

A força-tarefa Lava Jato no MPF-PR minimizou a importância do depoimento no contexto da condenação de Lula.

"O depoimento dele foi apenas um dos elementos de prova que embasaram a condenação de um ex-presidente da República, analisada e validada por diferentes instâncias do Poder Judiciário, que sempre tomou com ressalvas a palavra de corréu que pretende colaborar. A condenação foi fundamentada em farto material probatório que incluiu documentos, perícias, diversos testemunhos e outros materiais", diz nota.

"Em busca da verdade, não de versões"

A nota publicada pela força-tarefa Lava Jato diz, ainda, que os procuradores reforçam as advogados que negociam delações que "buscam a verdade e jamais versões". No entando, a nota não explica por que a delação de Léo Pinheiro, que estava emperrada, só deslanchou depois dele incriminar Lula em depoimento.

"A negociação de acordos de colaboração é realizada sob sigilo legal e profissional. No caso de integrantes da OAS, as negociações foram conduzidas por muitos procuradores que atuavam na Procuradoria-Geral da República e na força-tarefa da Lava Jato, que sempre pautam suas ações pessoais e profissionais pela ética e pela legalidade", resume a nota.

Em relação aos novos vazamentos publicados neste domingo (30), a defesa do ex-presidente Lula afirmou que o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro foi pressionado a mudar sua versão com o objetivo de incriminar o petista.

Também por meio de nota, o advogado Cristiano Zanin Martins, que defende Lula, afirmou que a reportagem "reforça a forma ilegítima e ilegal como foi construída a condenação do ex-presidente Lula no chamado caso do 'triplex'".