Lava Jato minimiza importância de Léo Pinheiro para a condenação de Lula

Angelo Sfair

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A força-tarefa Lava Jato no MPF-PR (Ministério Público Federal no Paraná) veio a público neste domingo (30) minimizar a importância do empresário Léo Pinheiro na condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por meio de nota, os procuradores afirmam que o processo relacionado ao triplex do Guarujá (SP) ” foi baseado em amplo conjunto de provas”.

A nota do MPF foi publicada no dia em que a Folha de S. Paulo, em conjunto com o The Intercept Brasil, revelou novos trechos de conversas entre procuradores da República. O conteúdo sugere que a própria força-tarefa tinha desconfianças em relação ao ex-presidente da construtora OAS, que em depoimento à Justiça Federal no Paraná incriminou Lula no processo que o levou à prisão.

Diz o jornal, com base na análise do material obtido por uma fonte anônima do The Intercept, que “as mensagens indicam que Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS, só passou a ser considerado merecedor de crédito após mudar diversas vezes sua versão sobre o apartamento tríplex de Guarujá (SP) que a empresa afirmou ter reformado para o líder petista”.

O empreiteiro só apresentou a versão que incriminaria Lula em abril de 2017. Na ocasião, Léo Pinheiro já negociava um acordo de colaboração premiada com o MPF-PR havia mais de um ano. A delação estava emperrada porque os procuradores não acreditavam na força dos anexos, mas avançou após o depoimento de Pinheiro ao então juiz da Lava Jato Sergio Moro, atual ministro da Justiça e Segurança Pública do governo de Jair Bolsonaro (PSL).

A força-tarefa Lava Jato no MPF-PR minimizou a importância do depoimento no contexto da condenação de Lula.

“O depoimento dele [Léo Pinheiro] foi apenas um dos elementos de prova que embasaram a condenação de um ex-presidente da República, analisada e validada por diferentes instâncias do Poder Judiciário, que sempre tomou com ressalvas a palavra de corréu que pretende colaborar. A condenação foi fundamentada em farto material probatório que incluiu documentos, perícias, diversos testemunhos e outros materiais”, diz nota.

“Em busca da verdade, não de versões”

A nota publicada pela força-tarefa Lava Jato diz, ainda, que os procuradores reforçam as advogados que negociam delações que “buscam a verdade e jamais versões”. No entando, a nota não explica por que a delação de Léo Pinheiro, que estava emperrada, só deslanchou depois dele incriminar Lula em depoimento.

“A negociação de acordos de colaboração é realizada sob sigilo legal e profissional. No caso de integrantes da OAS, as negociações foram conduzidas por muitos procuradores que atuavam na Procuradoria-Geral da República e na força-tarefa da Lava Jato, que sempre pautam suas ações pessoais e profissionais pela ética e pela legalidade”, resume a nota.

Em relação aos novos vazamentos publicados neste domingo (30), a defesa do ex-presidente Lula afirmou que o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro foi pressionado a mudar sua versão com o objetivo de incriminar o petista.

Também por meio de nota, o advogado Cristiano Zanin Martins, que defende Lula, afirmou que a reportagem “reforça a forma ilegítima e ilegal como foi construída a condenação do ex-presidente Lula no chamado caso do ‘triplex'”.

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