Política
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Lava Jato chega aos seis anos com mais dificuldades para investigar corrupção, diz Deltan

Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Paraná, declarou que é mais difícil investigar a corrupção..

Angelo Sfair - 10 de março de 2020, 16:50

Curitiba (PR), 10/03/202 - Procurador Deltan Dallagnol. O Mnistério Público Federal (MPF) realiza coletiva de imprensa para mostrar o resultado após seis anos da força-tarefa da Lava Jato nesta terça-feira(10) em Curitiba. (Foto: Ernani Ogata/Código 19/Folhapress)
Curitiba (PR), 10/03/202 - Procurador Deltan Dallagnol. O Mnistério Público Federal (MPF) realiza coletiva de imprensa para mostrar o resultado após seis anos da força-tarefa da Lava Jato nesta terça-feira(10) em Curitiba. (Foto: Ernani Ogata/Código 19/Folhapress)

Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Paraná, declarou que é mais difícil investigar a corrupção atualmente do que no início da operação, em 2014. A Lava Jato completará seis anos na próxima terça-feira (17) e o MPF-PR (Ministério Público Federal no Paraná) divulgou hoje (10) os dados do trabalho feito pela operação neste período.

“Após seis anos de Operação Lava Jato, temos um ambiente mais difícil agora do que em 2014. Antes pilotávamos um carro acelerado. Agora estamos em um trem carregado. E subindo uma ladeira. E uma ladeira cada vez mais íngrime”, comparou Deltan.

O procurador da República pontuou que decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) frearam o andamento da Lava Jato com efeitos retroativos e que são consideradas as principais derrotas do grupo de investigação. Neste sentido, Deltan afirmou que o STF, o Congresso Nacional e a sociedade precisam “assumir o protagonismo” do combate à corrupção.

“Tivemos uma série de entraves que resultaram na anulação de quatro casos. Quando analisamos os últimos anos, nos deparamos com diversas decisões que dificultaram o nosso trabalho no combate à corrupção”, declarou.

Dallagnol citou, por exemplo, o esvaziamento do pacote anticrime e a aprovação da Lei de Abuso de Autoridade.

“A lei lava jato mpf-pr deltan dallagnol Lava Jato apresentou os números oficiais dos seis anos da Operação nesta terça-feira, em Curitiba. (Eduardo Matysiak/Futura Press/Folhapress)

De acordo com os números oficiais, a Operação Lava Jato teve 70 fases, ofereceu 118 denúncias e recuperou mais de R$ 4 bilhões. Ao todo, são 500 pessoas acusadas, 52 sentenças e 293 prisões efetuadas (130 preventivas e 163 temporárias).

De acordo com o balanço, foram 253 condenações efetuadas, sendo 165 nomes únicos, a um total de 2.286 anos e sete meses de pena.

Do valor recuperado, R$ 4.023.990.764,92 foram destinados à Petrobras, R$ 416.523.412,77 aos cofres da União e R$ 59 milhões para a 11ª Vara da Seção Judiciária de Goiás, decorrente da operação que envolveu a Valec. Além disso, R$ 570 milhões foram usados para subsidiar a redução dos pedágios no Paraná.

CRESCIMENTO DA OPERAÇÃO EM 2019

A Lava Jato teve um aumento maior que 1.200% no volume de trabalho desde o início da operação, ou seja, entre 2014 e 2019. Segundo os dados, os atos praticados dentro de processos perante a Justiça Federal quase dobrou de 2018 para o ano passado: de 4.461 para 8.252.

Em 2019, a operação teve recorde no número de atos na força-tarefa em Curitiba (68.730), depoimentos coletados pelos procuradores (206), pedidos de cooperação internacional (189), novos autos instaurados (864). Já o quatro acordos de leniência celebrados igualaram o recorde de 2016.

Tudo isso leva o MPF-PR e os procuradores acreditarem no fortalecimento da operação. Em dezembro, Deltan revelou que R$ 1,7 bilhão, quase metade de todo montante recuperado pela Lava Jato, foram restituídos no ano passado. Além disso, disse que as 12 operações realizadas, com 29 denúncias a 99 réus, também foram números de destaque no trabalho realizado pela força-tarefa.