Lula bate-boca com juíza por causa de “PowerPoint”

Francielly Azevedo e Roger Pereira


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) bateu boca com a juíza Gabriela Hardt, substituta de Sérgio Moro nas ações da Operação Lava jato, nesta quarta-feira (14), durante depoimento na Justiça Federal, em Curitiba. O motivo da discussão seria a avaliação do petista sobre o “PowerPoint” apresentado pelo Ministério Público Federal (MPF) em uma coletiva de imprensa para explicar denúncias contra o ex-presidente. Lula depôs na ação penal que é acusado de receber propina através de reformas e melhorias em um sítio que frequentava em Atibaia-SP

Lula afirmou ser vítima de perseguição política. “E tudo começou com o PowerPoint. Se eu fosse presidente do PT, quando vi o PowerPoint, pediria para que todos os filiados do PT abrissem processo contra o Ministério Público Federal para que provasse o PowerPoint”, ressaltou.

A juíza não gostou da declaração do petista e entendeu que ele estaria intimidando a acusação. “Vamos mudar o tom. O senhor está instigando, eu não vou permitir. O senhor está estimulando os filiados do partido a tumultuar o processo e intimidar o Ministério Público. Se isso acontecer, o senhor será responsável”, afirmou a magistrada.

Lula contemporizou e disse que o fato aconteceu há anos e já passou. “Lamentavelmente não fizemos”, reforçou Lula.

O advogado do ex-presidente, Cristiano Zanin, se meteu na discussão explicando que a referência feita por seu cliente foi em relação ao processo judicial. “Não acredito que a Justiça seja um meio de pressão contra o Ministério Público”, avaliou Zanin.

O petista aproveitou o gancho e reforçou: “Isso dito pela própria Justiça é grave”.

A juíza explicou que não estava afirmando que a Justiça iria decidir sobre o assunto e ponderou que Lula estaria tumultuando. “Você tumultuar a Justiça por meio de diversas ações que você tem que responder, tem que contestar, ter que prestar informação, sim, isso é intimidar, porque nos tira do nosso trabalho diário para ficar respondendo situações que não são pertinentes”, destacou.

Lula rebateu: “Doutora, as pessoas injustiçadas recorrerão a quem?”. A magistrada respondeu e pôs fim ao assunto. “À Justiça, por isso o senhor está sendo julgado e seu processo anterior já foi julgado, já teve sentença e já está em instâncias superiores”, finalizou.

Outro momento de embate entre Lula e a juíza ocorreu quando o ex-presidente fez ilações sobre Sergio Moro, titular da 13ª Vara. Ao explicar como se dava a nomeação de diretores para a Petrobras, Lula disse que todos os indicados para o governo tinham sua vida pregressa apurada pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN). “Era assim com ministro do Supremo, com Procurador Geral da República, com diretor da Petrobras. Não sei por que, no caso da Petrobras, houve essa questão de jogar suspeita sobre a indicação de pessoas. Possivelmente por conta de o delator principal ser o Youssef, que era amigo do Moro desde o caso Banestado”, disse o ex-presidente, sendo imediatamente repreendido por Hardt. “Doutor, por favor, ele não vai fazer acusações a meu colega aqui”, disse a magistrada ao advogado de Lula. “Eu não estou acusando, estou constatando um fato”, rebateu Lula. “Não é um fato porque o Moro não é amigo do Youssef, nem nunca foi”, retrucou a juíza. “Mas manteve ele sob vigilância oito anos”, prosseguiu Lula. “Ele não ficou sob vigilância oito anos e é melhor o senhor parar com isso”, encerrou Hardt.

 

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.