Política
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Lula e Bolsonaro são iguais na economia e diferentes na política, diz Vera Lúcia, do PSTU

A pré-candidata afirmou que "o PT traiu a classe trabalhadora" e que Bolsonaro almeja fechar o sistema democrático.

Carolina Linhares - Folhapress - 26 de abril de 2022, 12:04

Foto: Danilo Verpa/Folhapress
Foto: Danilo Verpa/Folhapress

A presidenciável do PSTU, Vera Lúcia, afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL) se assemelham na condução da economia, embora sejam diferentes na postura política - já que o segundo almeja fechar o sistema democrático, segundo a pré-candidata. Vera participou de sabatina realizada por Folha de S.Paulo e UOL nesta terça-feira (26).

A entrevista foi conduzida pela apresentadora Fabíola Cidral, pelo colunista do UOL Josias de Souza e pela jornalista da Folha Catia Seabra.

"Não há diferenças muito importantes na política econômica. A diferença entre os dois é na condução política", disse Vera, acrescentando que Bolsonaro tenta "arroubos autoritários".

"Lula não defende isso. Dizer isso seria uma mentira", continuou. "Lula defende que as instituições continuem funcionando como está hoje. A defesa da democracia de Lula é a defesa da democracia dos ricos. Nos bairros mais pobres da cidade, democracia é algo que o povo desconhece."

Vera afirmou que democracia "é uma palavra forte" para descrever o regime brasileiro, "em que a legislação eleitoral favorece os grandes partidos" e a eleição é "dominada pelo poder econômico".

A pré-candidata fez críticas a Lula e a sua frente ampla. Um convite para fazer parte dessa aliança, disse Vera, "seria um convite perdido, uma afronta ao que defendemos".

"Nesse balaio de gato é impossível atender às demandas da classe trabalhadora. Um servo não pode servir a dois senhores", disse ela a respeito da união de Lula a partidos que ela considera de centro ou de direita, além da aproximação do petista com bancos e grandes empresas.

Vera não irá participar do ato de 1º de Maio da maioria das centrais pelo mesmo motivo - a presença de políticos de partidos de direita. Ela citou Arthur Lira (PP-AL), Renan Calheiros (MDB-AL) e Geraldo Alckmin (PSB), que deve ser candidato a vice-presidente na chapa de Lula.

"Não podemos ficar no meio dessa chantagem. A classe trabalhadora tem necessidades concretas que devem ser atendidas. Não podemos fazer isso no mesmo palanque que a burguesia", disse.

Vera afirmou também que "o PT traiu a classe trabalhadora". O PSTU, como ela declarou na sabatina, foi a favor da derrubada do governo Dilma Rousseff (PT), mas pelas ruas e não "pelo Congresso que não tinha moral".

A pré-candidata defende que a classe trabalhadora tome para si a tarefa de governar o Estado. Vera não deixou claro qual os termos da revolução que propõe, mas afirmou que a realização do programa do PSTU "requer mudanças que revolucionam a forma de organizar e distribuir a riqueza".

O objetivo central do programa de governo do PSTU e do polo socialista revolucionário (conjunto de entidades), que ela também representa, é expropriar as empresas privadas e estatizá-las, segundo a pré-candidata.

"Isso não se dá em um único governo de quatro anos", afirmou Vera, ressaltando que as primeiras expropriações seriam das cem principais empresas do país que, segundo ela, são dominadas por 315 famílias.

"Vamos tirar esses proprietários e colocar outros. A empresa vai ser controlada pelos trabalhadores e pela população", concluiu. Ela completou ainda que pequenas empresas seriam poupadas da expropriação.

Questionada sobre em qual país se inspira para defender seu programa de governo, Vera respondeu que atualmente nenhum país representa bem o projeto da classe trabalhadora. Ela se posicionou ainda a favor do povo ucraniano na guerra contra a Rússia.

De acordo com Vera, a dominação da classe trabalhadora não é um modelo popular no mundo por ser um "projeto contrário à burguesia e ao imperialismo capitalista".

RAIO-X

Vera Lúcia, 54

Foi candidata à Prefeitura de São Paulo em 2020, à Presidência da República em 2018, a deputada federal por Sergipe em 2006 e a prefeita de Aracaju em 2004, 2008 e 2012. Nunca ocupou cargo eletivo. Formou-se em ciências sociais pela Universidade Federal de Sergipe. É ativista sindical e pernambucana. Foi garçonete, datilógrafa e funcionária de uma fábrica de calçados. Foi militante do PT, mas foi expulsa em 1992 e, em 1994, ajudou a criar o PSTU.