Política
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Lula é capa da revista americana Time: 'o segundo ato de Lula’

Além das eleições, a entrevista aborda temas como o tempo que passou preso em Curitiba, a Guerra na Ucrânia, Jair Bolsonaro e a democracia brasileira.

Rafael Nascimento - 04 de maio de 2022, 11:48

Foto: Reprodução/Revista Time
Foto: Reprodução/Revista Time

A revista americana Time divulgou, nesta quarta-feira (4), a capa da mais nova edição da publicação e que tem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como destaque. O título da capa é definido como "o segundo ato de Lula" e trata o pré-candidato ao Planalto nas Eleições 2022 como "o presidente mais popular do Brasil".

A matéria que estampa a revista Time é assinada pela jornalista Ciara Nugent. Além das eleições, a entrevista aborda temas como o tempo que passou preso em Curitiba, a Guerra na Ucrânia, Jair Bolsonaro e a democracia brasileira.

O texto também destaca que em abril de 2021 o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou uma série de condenações por corrupção que excluíram o ex-presidente petista das eleições presidenciais de 2018. O tribunal afirmou que a parcialidade do então juiz Sergio Moro, responsável pelo caso, comprometeu o direito de Lula a um julgamento justo. Com seus direitos políticos restabelecidos, o retorno de Lula à política foi classificado pela Time como uma "bomba" para o Brasil.

"Eu na verdade nunca desisti da política. A política está em cada célula minha, a política está no meu sangue, está na minha cabeça. Porque o problema não é a política simplesmente, o problema é a causa que te leva à política. E eu tenho uma causa", declarou.

O ex-presidente afirmou ainda que voltou a ser candidato à Presidência da República ao ver o desmonte de políticas públicas e sociais no país. "Há uma expectativa de que eu volte a presidir o país porque as pessoas têm boas lembranças do tempo em que eu fui presidente. As pessoas trabalhavam, as pessoas tinham aumento de salário, os reajustes salariais eram acima da inflação. Então eu penso que as pessoas têm saudades disso e as pessoas querem isso melhorado", completou.

A pré-candidatura de Lula à Presidência deverá ser oficializada no sábado (7), em um grande evento em São Paulo.

O ex-presidente também condenou a invasão da Ucrânia pela Rússia e os desdobramentos da guerra no Leste Europeu, mas além de Vladimir Putin também responsabilizou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pelas aparições públicas e o avanço lento nas negociações para um cessar-fogo.

"Eu não conheço o presidente da Ucrânia. Agora, o comportamento dele é um comportamento um pouco esquisito, porque parece que ele faz parte de um espetáculo. Ou seja, ele aparece na televisão de manhã, de tarde, de noite, aparece no parlamento inglês, no parlamento alemão, no parlamento francês como se estivesse fazendo uma campanha. Era preciso que ele estivesse mais preocupado com a mesa de negociação", ponderou.

A reportagem da Time também cita o período em que Lula ficou preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, após a condenação na Lava Jato. Sobre o período, Lula afirmou que lembra do período como de reflexão.

"Eu fiquei 580 dias na cadeia. Eu li muito. Então eu fiz muita reflexão, eu me preparei para sair da cadeia sem ódio, sem mágoa, sem ressentimento, apenas lembrando que aquilo foi um processo histórico que eu não posso esquecer. Eu não posso esquecer, mas eu não posso colocar na mesa esse assunto todo dia porque é uma coisa do passado. Eu quero pensar no futuro", disse.