Política
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Lula critica denuncismo ao depor sobre Sérgio Cabral

Italo NogueiraO ex-presidente Lula afirmou nesta terça-feira (5) em depoimento à Justiça Federal que o país vive ..

Folhapress - 05 de junho de 2018, 12:38

BRASÍLIA, DF, 29.06.2015: PT-REUNIÃO - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião da bancada do PT na Câmara dos Deputados e Senado Federal, em Brasília (DF). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
BRASÍLIA, DF, 29.06.2015: PT-REUNIÃO - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião da bancada do PT na Câmara dos Deputados e Senado Federal, em Brasília (DF). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

Italo Nogueira

O ex-presidente Lula afirmou nesta terça-feira (5) em depoimento à Justiça Federal que o país vive um momento de "denuncismo" e que está "cansado de mentiras". Esta foi a primeira declaração pública do petista desde que foi preso há quase dois meses.

Ele depôs como testemunha de defesa do ex-governador Sérgio Cabral (MDB) na ação penal que apura suposto pagamento de propina a membros do COI (Comitê Olímpico Internacional) para a escolha do Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016. "Lamento que venha uma denúncia de corrupção de delegado

Ao longo do depoimento, o magistrado evitou permitir que Lula fizesse discursos de ataque à Justiça. Logo no início do depoimento, Bretas fez o comunicado de praxe em que avisa testemunhas de que ela está obrigada a falar a verdade. "Não acredito que haja um brasileiro mais em busca da verdade do que eu. Estou cansado de mentiras. Quero a verdade", disse ele, sendo interrompido pela primeira vez por Bretas.

O magistrado também prestou reverência ao ex-presidente ao fim do depoimento. Declarou que o petista era "uma pessoa importante para o Brasil" e comentou que esteve num comício de Lula na avenida presidente Vargas. "Tinha 18, 19 anos e estava num comício na avenida Presidente Vargas com 1 milhão de pessoas. Estava lá, usando boné com o seu nome", disse Bretas. "Quando fizer um novo comício, vou te chamar", respondeu Lula, para riso dos presentes à audiência.

Lula falou de dentro da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde está preso desde abril. O petista vestia o mesmo terno e gravata que utilizou no dia da vitória da cidade brasileira em Copenhague. Minutos antes do depoimento, Lula procurou demonstrar bom humor. "Estou bonito hein. Essa gravata é da conquista das Olimpíadas", disse ele, ao se ver no vídeo. "Carrego ela até ficar desmontada", disse o ex-presidente sobre a gravata verde, amarela e azul-marinho.

Antes do depoimento gravado, Lula pôde falar com Bretas. O juiz arriscou um chiste neste momento. "Não fala mal de mim que eu estou ouvindo, hein." "Eu sei. Estou com microfone aqui na frente", disse Lula.

O ex-governador Sérgio Cabral (MDB) assistiu pessoalmente ao depoimento. Antes do início da audiência, o emedebista pôde conversar rapidamente com o ex-presidente para prestar condolências pela morte de dona Marisa Letícia. "Estava preso quando dona Marisa faleceu. Presidente, meu abraço ao senhor e meus sentimentos pelo falecimento de dona Marisa. Um abraço meu, da Adriana e dos meus filhos", disse. "Obrigado Sérgio", respondeu o petista.

Olimpíada 

Lula negou que tenha ocorrido compra de voto de membros do COI, como acusa o Ministério Público Federal. O ex-presidente relatou como abordou chefes de Estado e eleitores do comitê.

"Eu não sei qual o critério do cidadão que diz que foi trapaça . Esse cidadão não deve saber nada. O ambiente no COI era de muita seriedade", declarou o ex-presidente.

O MPF acusa Cabral, o ex-presidente do COB (COmitê Olímpico do Brasil) Carlos Arthur Nuzman e o ex-diretor da entidade Leonardo Gryner de ter pago US$ 2 milhões ao senegalês Lamine Diack. Há a suspeita de que outros membros do COI tenham recebido valores. O ex-presidente afirmou que era natural o apoio de delegados africanos à candidatura brasileira.

"A África apoiar o Brasil era quase uma coisa óbvia. O Brasil era o país mais próximo da África. Eu viajei 34 vezes para África, visitei 29 países, abri 19 embaixadas na África. Isso dava aos africanos quase uma irmandade com Brasil", afirmou ele.