Lula diz que Moro o condenou porque estava a serviço de uma causa política

Roger Pereira


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com indignação à confirmação do nome do juiz federal Sergio Moro como novo ministro da Justiça e Segurança Pública. Em conversa com a senadora Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, e com o ex-ministro Aloizio Mercadante, que o visitaram na Superintendência da Polícia Federal de Curitiba, nesta quinta-feira, Lula disse que o aceite de Moro ao convite do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) confirma o que ele vem sustentando desde que foi denunciado na Operação Lava Jato: que estaria sendo vítima de um processo político.

Ele está firme como sempre, mas mais indignado ainda com essa notícia da nomeação de seu algoz para ministro da Justiça, que só confirma que ele é vítima de um julgamento eminentemente político. Ele disse:’O Moro, ao invés de apresentar uma prova contra mim, aceita ser ministro, reforçando nossa tese de que me condenou por um powerpoint, me condenou sem um fato concreto, porque estava a serviço de uma causa política’”, relatou Gleisi.

Para a senadora, Moro ministro de Bolsonaro é um escândalo mundial. “O juiz que investigou Lula e o condenou, agora passa a ser o executor da pena como ministro da Justiça. É lamentável que isso aconteça, é um escândalo mundial. O Brasil está pagando um novo vexame no campo jurídico. Isso vai ser muito ruim para o Judiciário brasileiro. O processo de Lula está eivado de vícios, mas, na realidade, o próximo ministro da Justiça foi aquele que ajudou Bolsonaro a ganhar a eleição”, afirmou a senadora. “Foi ele que impediu o presidente Lula de ser candidato, durante o processo eleitoral, soltou uma delação do Palocci, que nem estava homologada, para fazer debate político. E ficamos mais estarrecidos ao saber que o vice-presidente atestou hoje no jornal, que Paulo Guedes já havia convidado Sergio Moro para ser ministro antes do primeiro turno. Então, as coisas estão encadeadas. Gostaríamos saber desde quando Moro articula para ser ministro de Bolsonaro”, questionou.

Sem adiantar quais serão as medidas, Gleisi informou que a defesa do ex-presidente está preparando uma série de recursos aos tribunais superiores e a ógãos internacionais para questionar a imparcialidade de Moro, explorando esse fato novo da indicação para o Ministério. “Também reforçamos o pedido para que o CNJ paute a denúncia que fizemos para investigar o vazamento do grampo que fizeram com a presidente Dilma, que impediu o Lula de ser ministro. Acreditamos que desde lá essa articulação está acontecendo. Consideramos isso um escândalo”, concluiu.

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Repórter do Paraná Portal
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