Lula fala por quase três horas sobre o sítio de Atibaia

Roger Pereira, Andreza Rossini e Francielly Azevedo - CBN Curitiba


Terminou por volta das 17h50 desta quarta-feira o depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Sílva à juíza substituta Gabriela Hardt, da 13ª Vara Federal de Curitiba. Lula falou por quase três horas no processo em que é réu acusado de receber propinas da OAS e da Odebrecht através de obras de melhorias em um sítio, em Atibaia, interior de São Paulo, pertencente a Fernando Bittar, amigo da família do ex-presidente, mas frequentado por Lula em diversas ocasiões.

Antes do ex-presidente, prestou depoimento, por cerca de uma hora, o pecurarista José Carlos Bumlai, amigo pessoal de Lula e que teria intermediado a reforma do sítio, sendo, também réu no processo. Às 17h56, Lula deixou a sede da Justiça Federal, retornando para a Superintendência da Polícia Federal do Paraná, onde está preso desde 8 de abril.

Ao deixarem a sede da Justiça Federal, advogados que acompanharam o depoimento relataram que o clima na sala de audiências foi bem mais ameno que nos depoimentos de Lula conduzidos por Sérgio Moro, titular da 13ª Vara, que tirou férias após ser indicado para ministro da Justiça do governo Bolsonaro, e que a única interrupção que Gabriela Hardt fez a Lula foi justamente em um momento em que o ex-presidente passou a criticar Moro. “A  habilidade da magistrada em levar o ato processual é inegavelmente superior ao antecessor dela, que estava disposto a embate e tinha a colaboração da procuradoria, tanto que a procuradoria tentou cercear a defesa técnica e a magistrada determinou que continuasse o ato sem grandes discussões”.

O processo

De acordo com a denúncia do MPF, o ex-presidente Lula seria responsável por comandar “uma sofisticada estrutura ilícita para captação de apoio parlamentar, assentada na distribuição de cargos públicos na Administração Pública Federal” e teria recebido cerca de R$ 870 mil em vantagens indevidas em forma de reformas, construção de anexos e outras benfeitorias no Sítio de Atibaia.

A denúncia foi elaborada com base em depoimentos, documentos apreendidos, dados bancários e fiscais bem como outras informações colhidas ao longo da investigação, todas disponíveis nos anexos juntados aos autos.

Após ouvir os réus, a juíza responsável recebe as alegações finais e aplica a sentença, sem um prazo definido.

Réus e colaboradores no processo, os empresários Emílio e Marcelo Odebrecht afirmaram que as obras foram realizadas para “pessoa física” do ex-presidente e que toda família Odebrecht sabia que o sítio era do petista. O proprietário do sítio, Fernando Bittar, afirmou que cedeu o espaço para a família Lula armazenar parte de seu acervo e autorizou as obras, acreditando, no entanto, que elas estavam sendo custeadas pelo próprio ex-presidente.

 

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal