Lula nega ter incentivado que MTST ocupasse tríplex do Guarujá

Fernando Garcel

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba, prestou depoimento sobre a ocupação do Condomínio Solaris e do apartamento triplex em abril de 201. O imóvel foi atribuído a ele como recebimento de vantagem indevida em processo em que foi condenado na Lava Jato. Segundo Manoel Caetano, advogado de Lula, o ex-presidente negou ter incentivado a invasão.

A defesa afirma que Lula usou apenas força de expressão em uma frase de seis segundos no meio de um discurso de pouco mais de meia hora.

“Ele disse que estava em um momento de indignação com a injusta condenação pelo Tribunal Regional Federal [da 4ª Região] e foi uma força de expressão que ele usou ao dizer que se o apartamento fosse dele que o Guilherme Boulos com seu pessoal poderia ocupar”, declarou o advogado na saída da Superintendência da PF.

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Na época, em um discurso em São Bernardo do Campo, Lula pediu a Boulos “mandar o pessoal dele ocupar” o tríplex. O ex-presidente foi preso logo depois e não teve mais contato com Boulos antes da ocupação do tríplex.

Nove dias depois da prisão, dezenas de pessoas do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e o movimento Povo Sem Medo invadiram o condomínio e subiram até o apartamento, onde estenderam faixas. Muitos permaneceram na rua. Durante o protesto, os manifestantes entoavam canções e palavras de ordem como “Sérgio Moro, presta atenção, a sua casa vai virar ocupação” e “Quem não pode com a formiga não atiça o formigueiro”. A manifestação foi transmitida, nas redes sociais, pelo líder do MTST, Guilherme Boulos.

A PF investiga suspeitas de esbulho possessório, crime que ocorre quando alguém toma um bem usando a força. Neste caso, o imóvel pertencia à Justiça desde o confisco após a sentença. O inquérito corre em sigilo.

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