Lula questiona perícia sobre sistemas da Odebrecht e JFPR dá 24 horas para PF se manifestar

Angelo Sfair

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A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva questiona o laudo produzido pela PF (Polícia Federal) sobre o sistema MyWebDay. Aliado ao Drousys, dedicado à comunicação interna, este sistema era utilizado pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht para controlar o pagamento de propinas. Em petição enviada à 13.ª Vara Federal de Curitiba, os advogados do petista também alegam que tiveram acesso restrito ao material periciado. O juiz da Lava Jato, Luiz Antonio Bonat, despachou sobre o pedido nesta terça-feira (13) e deu prazo de 24 horas para que a PF responda aos questionamentos.

O próprio conteúdo coletado pelo MPF (Ministério Público Federal) nos sistemas internos da Odebrecht é posto em xeque. Os defensores de Lula reforçam a dificuldade que as autoridades de investigação tiveram e ainda têm para lidar com o MyWebDay e Drousys. Os questionamentos forma protocolados na terceira ação penal a qual o ex-presidente responde criminalmente na 13.ª Vara Federal de Curitiba. Neste processo, o petista é acusado de receber R$ 12,4 milhões de vantagens indevidas da empreiteira – a maior parte por meio de um terreno onde supostamente seria construída uma nova sede para o Instituto Lula.

“Importante ressaltar que os Peritos Criminais Federais também não efetuaram um trabalho completo como era o esperado, pois não conseguiram acessar o sistema de contabilidade paralela utilizado pelo Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht, denominado MyWebDayB. Portanto, utilizaram medidas alternativas que em nada garantem os exames efetuados e, muito menos, as conclusões alcançadas por dedução, e nunca por certeza, expressadas no Laudo Pericial apresentado”, destacaram os advogados.

Ao analisar o pedido, o juiz titular da 13.ª Vara Federal de Curitiba deu prazo de 24 horas para que a Polícia Federal responda aos questionamentos sobre o MyWebDay. Luiz Antônio Bonat pediu, ainda, para que a autoridade policial comunique a forma como a defesa técnica teve acesso ao material periciado.

Ações contra Lula no Paraná

Lula está preso há quase 500 dias, desde 7 de abril de 2018. O ex-presidente se entregou à Polícia Federal em Curitiba depois de ter confirmada em segunda instância a condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo relacionado ao triplex do Guarujá (SP).

Lula também já foi condenado em primeira instância em uma ação penal que tratava sobre propinas da OAS pagas por meio de reformas de melhoria em um sítio em Atibaia (SP).

A terceira ação na Justiça Federal em Curitiba trata de supostas vantagens oferecidas pela Odebrecht por meio de um terreno, em São Paulo, e uma apartamento em São Bernardo do Campo (SP).

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