“São eles que estão presos às mentiras”, diz Lula, em carta, ao rejeitar o semiaberto

Angelo Sfair

carta lula semiaberto curitiba paraná lava jato reprodução

Ao negar a progressão para o regime semiaberto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os procuradores da força-tarefa Lava Jato “estão presos às mentiras que contaram ao Brasil e ao mundo”. Preso em Curitiba, o petista se manifestou por meio de um carta escrita de próprio punho. A mensagem foi lida na tarde desta segunda-feira (30) pelo advogado Cristiano Zanin Martins, que passou a maior parte do dia reunido com o ex-presidente na Superintendência da Polícia Federal no Paraná.

“Tudo que os procuradores da Lava Jato realmente deveriam fazer é pedir desculpas ao povo brasileiro, aos milhões de desempregados e à minha família, pelo mal que fizeram à Democracia, à Justiça e ao País”, escreveu Lula.

Lula explicou que não aceita “barganhar” os direitos e a liberdade. O político manteve a postura e o discurso de adotou desde que foi preso, em abril do ano passado. Para o ex-presidente, a liberdade deve ser acompanhada do reconhecimento da inocência.

“Já demonstrei que são falsas as acusações que me fizeram. […] Diante das arbitrariedades cometidas pelos procuradores e por Sergio Moro [ex-juiz, atual ministro da Justiça e Segurança Pública], cabe agora à Suprema Corte corrigir o que está errado para que haja Justiça independente e imparcial, como é devido a todos os cidadãos”, pontou Lula.

“Tenho plena consciência das decisões que tomei nesse processo e não descansarei enquanto a verdade e a Justiça não voltar a prevalecer”, concluiu.

ESPERANÇA DE LULA ESTÁ NO STF

A decisão de Lula foi comunicada pelo advogado Cristiano Zanin Martins, que passou a manhã e boa parte da tarde reunido com ex-presidente da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Também participaram da reunião os advogados Manoel Caetano, Valeska Teixeira, Emídio de Souza, Luiz Eduardo Rocha e Luiz Eduardo Greenhalg, além de Gleisi Hoffmann e Fernando Haddad.

“O que o ex-presidente nos orientou é que, diante deste cenário, não vai aceitar barganha em condições estabelecidas pela Justiça”, afirmou o advogado Cristiano Zanin Martins, na saída da Superintendência Regional da Polícia Federal em Curitiba, onde passou a manhã e parte da tarde reunido com o ex-presidente.

De acordo com o defensor, Lula manteve a coerência de suas recentes decisões. O advogado ainda argumentou que o Estado não pode impor as condições que acredita ser mais conveniente.

“A partir dessa posição do ex-presidente, vamos tomar todas as medidas jurídicas cabíveis. A primeira delas é reiterar o julgamento de um habeas corpus no STF (Supremo Tribunal Federal) que discute a anulação da condenação de Lula”, afirmou.

“Vamos fazer o possível para que os habeas corpus sejam julgados o quanto antes. Esse é o caminho para a anulação”, adiantou Zanin.

PRESO

Lula foi preso no dia 7 de abril de 2018, ou seja, há 541 dias. Ele se entregou à Polícia Federal em São Paulo e acabou transferido para Curitiba após ser condenado, em segunda instância, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo relacionado ao triplex do Guarujá.

Além disso, Lula também já foi condenado em primeira instância em uma ação penal que tratava sobre propinas pagas por meio de reformas de melhoria em um sítio em Atibaia, no interior de São Paulo.

Lula
Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

LAVA JATO

No pedido de progressão feito à Justiça, os procuradores Deltan Dallagnol, Roberto Pozzobon e Laura Tessler, além de outros, afirmaram que Lula tem bom comportamento carcerário e, dessa forma, faz jus à progressão para o regime semiaberto.

Em entrevista à Jovem Pan nesta segunda-feira (30), Deltan afirmou que Lula deve cumprir a sua pena como os demais presos, “nem mais, nem menos”.

“Quando uma pessoa cumpre os requisitos todos para a progressão de regime não tem só o direito, mas o Estado não pode exercer seu poder de prisão para além do que tem direito. Assim, uma vez cumpridos os requisitos, normalmente os réus pedem a progressão. Se o réu não pedir o semiaberto, é obrigação nossa, do Ministério Público pedir”.

Previous ArticleNext Article