Mandetta garante permanência no governo Bolsonaro: “não vou abandonar”

Redação

Ministro da Saúde teve seu trabalho defendido por ministros militares e congressistas.
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O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ficará no cargo por enquanto após quase ter tido a sua demissão determinada nesta segunda-feira (6). O presidente Jair Bolsonaro estava decidido a exonerar o médico, mas recuou atrás ao longo do dia.

“Nós vamos continuar porque continuando vamos enfrentar nosso inimigo, que é o Covid-19. Temos uma sociedade para tentar lutar e proteger. Não vou abandonar, mas as condições dos médicos precisam ser para todos. O que nós estamos pedindo é que tenhamos o melhor ambiente para trabalhar. Quando sairmos, vamos sair juntos”, disse ele, reforçando os elogios à sua equipe.

Mandetta ressaltou que a reunião interministerial, convocada por Bolsonaro, foi boa no sentido do “governo se posicionar”.

Contudo, afirmou que críticas foram feitas para dificultar o trabalho do Ministério da Saúde.

“Não temos nenhum receio da crítica. A crítica nos faz rever e dar passos à frente. O que temos dificuldade é que, em determinadas situações, as críticas não vem em construir e sim trazer dificuldades no ambiente de trabalho. Hoje foi um dia que rendeu muito pouco. Todo mundo ficou com a cabeça avoada se eu ia ficar ou sair”, completou.

Mandetta voltou a elogiar a equipe que está à sua disposição, afirmando que todos têm vasta experiência no sistema de Saúde do Brasil.

Para completar, o ministro da Saúde reforçou o distanciamento social e que quarentena é muito mais complexo que a realidade atual.

“A sociedade precisa entender que a movimentação social é tudo que o vírus quer. Vai levar para as grandes concentração urbanas. Vida é vida. Não tem nenhuma pessoa que não será atendida. Não estamos preparados e prontos para a escalada, ainda temos muito o que fazer”, completou.

MANDETTA RECEBEU APOIO DE MINISTROS E PARLAMENTARES

Segundo as jornalistas Andreia Sadi, da Globo, e Daniela Lima, da CNN, Davi Alcolumbre, presidente do Senado, passou o recado que o Congresso Nacional não iria receber bem a decisão da demissão de Mandetta. Além disso, diversos ministros militares, como o general Walter Braga Neto, ministro da Casa Civil, fizeram uma intervenção determinante para a permanência de Mandetta. Todos funcionaram como uma espécie de “bombeiros”.

Vale ressaltar que o presidente convocou uma reunião com todos os ministros, e outras autoridades do governo, nesta segunda-feira (6), às 17h. Todos se reuniram em Brasília em um encontro que durou cerca de duas horas. A reunião teve portas fechadas e os integrantes não puderam entrar com o celulares.

Ontem (5), Bolsonaro declarou que usará a caneta contra integrantes do seu governo que viraram estrelas. “Algumas pessoas no meu governo, algo subiu a cabeça deles. Eram pessoas normais, mas de repente viraram estrelas. Falam pelos cotovelos, tem provocações. A hora deles não chegou ainda não, vai chegar a hora deles”, disparou.

A indireta foi bem clara: em meio à crise pelo coronavírus, Mandetta entrou na mira do presidente. Contudo, o bom trabalho do ministro da Saúde frente à pandemia da Covid-19 rendeu defesas importantes.

BOLSONARO x MANDETTA

Bolsonaro e Mandetta vivem tensões nas últimas semanas, desde o início da pandemia do coronavírus. O gatilho do desacordo entre os dois foi o pronunciamento do presidente no dia 24 de março.

Bolsonaro pediu o fim do isolamento social, uma das principais recomendações do Ministério da Saúde no combate à Covid-19, e menosprezou a doença mais uma vez, reforçando a ideia que é apenas uma “gripezinha”.

O discurso não pegou bem e Mandetta expôs sua insatisfação em uma reunião com outras autoridades. Ele apelou para que Bolsonaro criasse um ambiente favorável entre o governo federal e os Estados e deixasse de menosprezar o coronavírus. Além disso, afirmou que criticaria o presidente abertamente caso ele resolvesse ir ao metrô, como tinha especulado anteriormente. A resposta de Bolsonaro foi clara: exoneraria o ministro caso fosse criticado.

Outros fatos também inferiram na relação entre eles. A última pesquisa Datafolha, por exemplo, mostrou que o Ministério da Saúde tem uma aprovação de 76% das pessoas em relação à gestão no confronto ao coronavírus. Já o trabalho de Bolsonaro nesta crise é classificado como ótimo/bom de apenas 33%, ou seja, menos que a metade.

Para completar, outros episódios marcam desgastes. Bolsonaro não gostou de Mandetta ter aparecido em uma live da dupla sertaneja Jorge e Mateus, que alcançou a marca de 3 milhões usuários, no último sábado e se irritou ao saber que, nos bastidores, Mandetta afirma não ter sido convidado para uma reunião com o deputado federal Osmar Terra e outros médicos para discutir o coronavírus.

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