Mandetta rebate Bolsonaro sobre cloroquina: “quem tem juízo ouve a medicina”

Redação

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Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde, citou a brincadeira do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre o uso da cloroquina no combate ao coronavírus. Defensor do medicamento, Bolsonaro disse ontem (19) que “quem é de direita, usa cloroquina” e “quem for de esquerda, toma tubaína”, referindo-se ao refrigerante.

Se quem é de direita toma cloroquina e quem é de esquerda toma tubaína, que quem tem juízo escute a Medicina”, disse Mandetta.

A cloroquina é vista pelo presidente como o tratamento do novo coronavírus. Contudo, a maioria dos estudos científicos apontam que a substância causa efeitos colaterais e pode ser fatal para um grupo de pessoas. O deputado Gil Vianna (PSL-RJ), por exemplo, morreu por Covid-19 mesmo com o uso da substância em seu tratamento.

A divergência sobre a cloroquina gerou as demissões de Mandetta e seu sucessor, Nelson Teich.

Com a saída dos médicos, quem assumiu o comando interino do Ministério da Saúde foi o general Eduardo Pazuello, que assinou hoje a mudança de protocolo da cloroquina do Ministério da Saúde. A partir de hoje, a cloroquina poderá ser usada do 1º ao 5º dia de sintomas do coronavírus e o paciente deve assinar um termo para fazer o tratamento.

No termo de consentimento, o paciente ressalta que “não existe garantia de resultados positivos e não há estudos demonstrando benefícios clínicos”.

Além disso, no documento a pessoa que está infectada pelo coronavírus afirma que o remédio pode causar efeitos colaterais que podem levar à “disfunção grave dos órgãos, ao prolongamento da internação, à incapacidade temporária ou permanente, e até ao óbito”.

O antigo protocolo – publicado na gestão do ex-ministro Mandetta e mantido por Teich – orientava que a cloroquina fosse usada somente em casos graves da Covid-19.

CLOROQUINA E HIDROXICLOROQUINA: O QUE SÃO?

A cloroquina e a hidroxicloroquina têm seu uso de forma controlada e tem efeito imunomodulador, fornecendo aumento da resposta contra microrganismos. Os medicamentos são muito usados no combate à malária.

Pela dose elevada -em comparação com tratamentos comprovados pelos componentes-, o uso da cloroquina no tratamento do coronavírus pode causar danos à saúde.

Comparando os efeitos colaterais, a hidroxicloroquina é considerada mais segura.

Alguns efeitos colaterais que os medicamentos podem causar são:

  • alterações cardiovasculares e neurológicas;
  • irritação ou manchas vermelhas na pele;
  • distúrbios de visão;
  • cefaleia;
  • miopatia.

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