Mapa vai conceder selo de qualidade a empresas do agronegócio

Mariana Ohde


O ministro Blairo Maggi pediu que as empresas do agronegócio brasileiro criem programas de compliance – conjunto de práticas destinadas ao cumprimento de normas e regulamentos governamentais ou do próprio setor privado –, a exemplo do programa lançado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no início do mês passado.

Maggi fez o apelo ao se reunir com empresários, nesta quarta-feira (3), em Brasília, para avaliar as ações do Plano Agro+, voltado à desburocratização e à modernização do agronegócio.

Para incentivar a prática, o Mapa vai instituir um selo de qualidade para as empresas que atenderem padrões de qualidade, baseados nos eixos de sustentabilidade, conformidade e responsabilidade social.

Na avaliação do ministro, o apoio empresarial à iniciativa do Mapa deve contribuir para fortalecer a imagem da agropecuária nacional nos mercados interno e externo e evitar fraudes contra o consumidor.

“Esses programas [de compliance] também são importantes para os dirigentes das empresas, porque eles terão como atestar, em caso de alguma situação excepcional, a recomendação prévia e por escrivo de regras e procedimentos. Isso pode evitar acusações e até multas pesadas”, disse Maggi.

O secretário-executivo do Mapa, Eumar Novacki, reforçou a relevância do programa. “Essa é uma iniciativa que vai trazer mais transparência ao setor”, assinalou. “O Mapa atestará a adoção de boas práticas por meio de um portal de transparência e do selo que confirmará o cumprimento pelas empresas do agronegócio de rígidos padrões de sustentabilidade, conformidade e responsabilidade social”.

Mais de 50 entidades representativas do setor agropecuário estiveram no encontro com o ministro e com o secretário-executivo do Mapa, Eumar Novacki. A reunião serviu para fazer um balanço das cerca de 500 medidas já adotadas por meio do Agro+, lançado no ano passado.

Resgate da confiança

Durante coletiva de imprensa ao final da reunião, o ministro afirmou ainda que o Mapa está trabalhando para normalizar a situação das carnes brasileiras nos mercados interno e externo. De acordo com ele, isso exigirá um esforço com os importadores para mostrar a qualidade e a sanidade dos produtos cárneos brasileiros. “Temos que reconquistar a confiança plena não só do mercado externo, mas também do interno”.

Operação Carne Fraca

Nesta quarta-feira (3), durante o evento de anúncio do programa de compliance, Maggi afirmou que a deflagração da Operação Carne Fraca, em 17 de março, criou um ambiente “muito ruim” para o setor. “Diante de tudo que queríamos ter avançado, acabamos voltando 10 casas para trás”, disse.

A operação da Polícia Federal (PF) desvendou um esquema de fraudes na fiscalização de 21 frigoríficos, 18 deles no Paraná. A ação gerou uma “crise de imagem” no setor e fez com que vários países chegassem a suspender ou restringir a importação de carne brasileira.

 

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal