Marcelo Queiroga e João Doria trocam farpas nas redes sociais

Folhapress


De “governo medíocre” a “loucos negacionistas”, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), considerado rival político do presidente Jair Bolsonaro (PL), voltaram a trocar farpas e acusações nas redes sociais nesta quinta-feira (23). Ambos mantêm um histórico longo de conflitos públicos.

A confusão começou depois que Queiroga declarou em entrevista que “óbitos de crianças estão dentro de patamar que não implica em decisões emergenciais” ao ser questionado sobre a realização de consulta e audiência públicas para definir se crianças com idades de 5 a 11 anos devem ser incluídas no PNI (Plano Nacional de Imunização), contra a Covid-19.

Na sequência, Doria rebateu a declaração feita pelo ministro da Saúde, disse que “não há patamar aceitável para mortes de crianças” e aproveitou a ocasião para alfinetar a aqueles que ele definiu como “loucos negacionistas”.

Aparentemente, Queiroga não gostou da publicação e acusou o governador paulista de promover “a pior gestão entre todos os estados durante o enfrentamento à pandemia da covid-19”. Ele voltou a reforçar que foi o presidente Bolsonaro o responsável por comprar as doses da vacina e sugeriu que Doria busca “holofotes”.

VACINAÇÃO INFANTIL

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou na última quinta-feira (16) o início da imunização no público dessa faixa etária, mas o governo de Jair Bolsonaro (PL) já declarou ser contrário.

Ontem, o Ministério da Saúde editou ato de ofício em que divulga a abertura de consulta pública sobre a aplicação ou não de vacinas contra o coronavírus na população de 5 a 11 anos de idade.

A comunicação, assinada pela Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, foi publicada no Diário Oficial da União e estabelece o período de 23 de dezembro a 2 de janeiro de 2022 para que os brasileiros possam opinar a respeito do tema.

Segundo o Ministério da Saúde, a consulta pública referente ao tema -que tem gerado resistência por parte de pessoas contrárias à vacinação e/ou apoiadores do presidente Jair Bolsonaro- servirá para “manifestação da sociedade civil a respeito da vacinação contra a covid-19 em crianças de 5 a 11 anos de idade”. Além disso, funcionará “para que sejam apresentadas contribuições, devidamente fundamentadas”.

A discussão sobre o tema virou caso de polícia depois que pessoas de opinião contrária à vacinação em crianças enviaram emails a diretores e servidores da Anvisa com mensagens de intimidação e até mesmo ameaças de morte.

A agência comunicou tais fatos à Polícia Federal, que abriu uma investigação. Um homem foi denunciado pela PGR (Procuradoria-Geral da República). Agora, cabe à Justiça avaliar se ele se tornará réu e responderá a uma ação penal.

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