Márcio Lobão teria aumentado R$ 35 milhões de patrimônio com propina

Francielly Azevedo

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O filho do ex-ministro de Minas e Energia Edison Lobão, Márcio Lobão, teve uma evolução patrimonial de R$ 8,9 milhões para R$ 44 milhões, de 2007 a 2017, de acordo com o (MPF) Ministério Público Federal. Márcio foi preso preventivamente, nesta terça-feira (10), na 65ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Galeria.

“Esse crescimento aliado a diversas evidências no sentido que ele recebia propina das empresas investigas chamou bastante atenção nas investigações e demanda diligências investigatórias, desdobramentos para que possa ser esclarecido”, disse o procurador da República, Roberson Pozzobon, integrante da força-tarefa Lava Jato.

As investigações apontam que, entre 2008 e 2014, o ex-ministro e o filho receberam propinas dos Grupos Estre e Odebrecht no valor de R$ 50 milhões. O esquema de corrupção seria ligado a Transpetro, subsidiária da Petrobras, e à Usina Hidroelétrica de Belo Monte.

A operação investiga benefícios em mais de 40 contratos, cujo valor chega a cerca de R$ 1 bilhão, celebrados pelas empresas Estre Ambiental, Pollydutos Montagem e Construção, Consórcio NM Dutos e Estaleiro Rio Tietê.

São levados em conta os depoimentos de Sérgio Machado, que foi nomeado presidente da Transpetro em 2003 e lá permaneceu nessa posição até 2014. Conforme Machado disse em colaboração, para que permanecesse no cargo ele contou com diversas ajudas de integrantes do MDB e se comprometeu a repassar propina. Nesse contexto, de acordo com o MPF, aparecem Edison Lobão e Márcio Lobão.

Márcio Lobão foi preso no Rio de Janeiro e encaminhado para Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

VÁRIAS MANEIRAS DE LAVAGEM DE DINHEIRO

De acordo com as investigações, as maneiras de lavagem de dinheiro eram inúmeras. Algumas, incluíam a aquisição e posterior venda de obras de arte com valores sobrevalorizados, simulação de operações de venda de imóvel, simulação de empréstimo com familiar, interposição de terceiros em operações de compra e venda de obras de arte, e movimentação de valores milionários em contas abertas em nome de empresas offshore no exterior.

Segundo o procurador da República, Roberson Pozzobon, um conjunto de operações suspeitas chamou a atenção nas investigações. Entre 2008 e 2012 foram feitos diversos depósitos fracionados nas contas de Márcio Lobão e sua esposa Martha Lobão. O total soma R$ 2,1 milhões. “São 1001 formas de lavagem de dinheiro. A criatividade para lavar dinheiro realmente impressiona. Algumas deixam mais rastros, outras menos, mas todas deixam rastros”, destaca.

Ainda, de acordo com as investigações, em ambos os esquemas criminosos as provas indicam que as propinas foram entregues em espécie em escritório advocatício ligado à família Lobão, localizado no Rio de Janeiro.

 

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.