Mesmo após decisão do STF, Operação Piloto não vai para Justiça Eleitoral

BandNews FM Curitiba

 

A Justiça Federal do Paraná negou o pedido do empresário Jorge Atherino para transferir para Justiça Eleitoral o andamento da Operação Piloto, que apura suspeitas de irregularidades em negociações com a Odebrecht.

A Lava Jato investiga doações fraudulentas feitas pela empreiteira para o ex-governador Beto Richa, em troca de favorecimento em um contrato de duplicação da PR-323, rodovia que passaria à iniciativa privada para cobrança de pedágio.

No despacho, o juiz federal substituto Paulo Sérgio Ribeiro lembra que, em agosto de 2018, a Justiça acolheu o pedido do Ministério Público Eleitoral do Paraná para arquivar as apurações de crime eleitoral, ‘sem prejuízo da continuidade das investigações perante a Justiça Federal do esquema criminoso desenvolvido em 2014 para direcionar a licitação para duplicação da PR 323 para o Grupo Odebrecht’.

O juiz da 23ª Vara Federal de Curitiba prossegue que ‘referências genéricas contidas na denúncia quanto à suposta existência de “caixa 2” na campanha de Beto Richa não são suficientes para justificar nova remessa à Justiça Eleitoral’; nesse caso, o juízo teria que se declarar ‘incompetente’ para ‘análise de crimes comuns (fraude licitatória, corrupção e lavagem de dinheiro)’.

Um dos argumentos da defesa de Jorge Atherino para recorrer foi o julgamento no Supremo Tribunal Federal, em março, quando ficou estabelecido que ‘compete à Justiça Eleitoral julgar os crimes’ comuns que ‘forem conexos’ aos crimes eleitorais. O empresário é acusado de ser o “operador financeiro” de um esquema de pagamento propina ao grupo político de Richa.

A Operação Piloto foi deflagrada em setembro de 2018 e apura o pagamento de 4 milhões de reais pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, em favor de agentes públicos e privados do Paraná.

Por Cleverson Bravo, Lenise Klenk e Thaissa Martiniuk

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