Ministro do Meio Ambiente transfere evento após protestos em Curitiba

Fernando Garcel e Mariana Ohde


O Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, transferiu seu pronunciamento sobre o lançamento do Programa Lixão Zero – que visa acabar com os lixões no Brasil – após uma série de protestos em Curitiba na manhã desta terça-feira (30).

Ele estava em um evento, feito em parceria com o governo do estado do Paraná e prefeitura de Curitiba, que tinha como objetivo trazer para a população em geral informações detalhadas sobre a reciclagem e a logística reversa de produtos. Sua fala estava prevista para acontecer às 11 horas com coletiva de imprensa em seguida, mas foi transferida para o Palácio Iguaçu, sede do Governo do Paraná e deve ocorrer nas próximas horas.

O protesto ocorreu devido as inúmeras polêmicas envolvendo o corte de recursos e o sufocamento de órgãos da pasta destinados à proteção do meio ambiente. Os manifestantes gritavam “Fora!” e ergueram cartazes de “O Brasil não está à venda” e em uma versão em inglês “Salles, Brazil is not for sale”.

Na última semana, o ministro do Meio Ambiente cortou 24% do orçamento anual previsto para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Com R$ 89,9 milhões a menos, o corte deve atingir inclusive o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), responsável por fiscalizar unidades de conversação florestal no Brasil.


Também estava previsto que Salles assinasse acordos e portarias da Pasta, entre eles o Acordo de Cooperação Técnica entre Ministério do Meio Ambiente e a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), visando à elaboração do Plano Nacional de Resíduos Sólidos – Planares e ações para o aprimoramento da gestão de resíduos sólidos no país; a Portaria Interministerial que disciplina a recuperação energética de resíduos sólidos urbanos; e a Portaria Ministerial que aprova o Programa Nacional Lixão Zero com entrega da Agenda Nacional de Qualidade Ambiental Urbana durante o lançamento do programa.

Também somaram ao protesto o movimento de catadores de materiais recicláveis que questionam um projeto da Prefeitura de Curitiba que planeja incinerar os rejeitos recicláveis. A administração municipal pretende reduzir o uso dos aterros sanitários com a queima do lixo não reutilizável, transformando-o em energia para a indústria cimenteira instalada na cidade. Ontem, representantes de 20 cooperativas de catadores de Curitiba estiveram reunidos na Assembléia Legislativa do Paraná (Alep) com deputados para discutir a proibição da incineração do lixo no Estado. Eles temem que materiais recicláveis acabem queimados neste sistema e prejudique a renda das famílias.

“Nós somos catadores de materiais recicláveis e a Prefeitura, junto da Votorantim, está fazendo um projeto para incinerar os rejeitos. Mas nós entendemos que o rejeito é um problema da logistíca reversa e o município está tirando a obrigação da logistíca, porque vai lucrar com isso. A gente é totalmente contra. Hoje vai queimar o rejeito e amanhã vai querer queimar tudo”, diz uma das organizadoras do protesto, Lia de Oliveira Santos, da Cooperativa Catamar e do Instituto Lixo e Cidadania.

Evento é realizado no Palácio Iguaçu

A cerimônia de lançamento acabou sendo realizada no Palácio Iguaçu, com a presença do ministro, do governador Ratinho Junior e do prefeito Rafael Greca.

Na cerimônia também foi assinado o Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o Ministério do Meio Ambiente e a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), para a elaboração do Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares).

Participaram do lançamento o secretário de Estado de Desenvolvimento Sustentável e Turismo, Márcio Nunes, e a deputada federal Aline Sleutjes.

Foto: Luiz Costa/SMCS

 

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