Ministro do Turismo defende afrouxar regras sobre Covid para retomar cruzeiros

Marianna Holanda - Folhapress, Mateus Vargas, Folhapress e Raquel Lopes - Folhapress


O ministro do Turismo, Gilson Machado, defende que sejam afrouxadas as regras de controle da Covid-19 em viagens de cruzeiros para permitir a retomada das embarcações.

A Clia Brasil, associação que representa as companhias de navios de cruzeiros no país, anunciou a suspensão das novas operações nos portos brasileiros até o dia 21 de janeiro. Machado afirma que o governo deveria adotar protocolo mais brando para a variante ômicron, que, na leitura do ministro, não gera tanto impacto como outras formas do vírus.

“É preciso adequar (a portaria) com a ômicron, porque ela não está gerando pressão nos hospitais. Mas a palavra é do ministro da Saúde. Eu torço para que haja esse entendimento”, disse ele à reportagem nesta segunda-feira (3).

Estudos ainda preliminares indicam que a ômicron causa quadros menos graves mesmo em idosos, mas é mais contagiosa. Mesmo com estes dados, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) pede restrições ainda mais duras e a suspensão da temporada de cruzeiros.

“A recomendação da Agência leva em consideração a mudança rápida no cenário epidemiológico, o risco de prejuízos à saúde dos passageiros e a imprevisibilidade das operações neste momento”, afirma nota da agência publicada no domingo (2).

A recomendação da Anvisa ainda está em avaliação no governo. Em reunião nesta segunda, representantes de ministérios decidiram não alterar as regras sobre as embarcações, ao menos por ora, sob argumento de que as próprias companhias de cruzeiros se anteciparam e anunciaram a suspensão de novas viagens.

Depois do encontro e da iniciativa das empresas, a Casa Civil divulgou uma nota confirmando a suspensão das atividades dos cruzeiros.

“Após recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de suspensão temporária da temporada de cruzeiros no Brasil, o Governo Federal se reuniu, na manhã desta segunda-feira (3), com empresas do setor. Ficou decidida, então, a suspensão, até o dia 21 de janeiro, das atividades de cruzeiros”, diz o texto.

A pasta disse ainda que houve ainda uma reunião com secretários de Saúde de estados e municípios para discutir o atual plano de operacionalização da atividade de cruzeiros, e que vai manter os encontros nas próximas semanas para reavaliar, junto ao entes da federação e às empresas, a possibilidade do retorno das atividades.

A nota foi assinada também pelo Ministério da Saúde, da Infraestrutura, da Justiça e Segurança Pública, e do Turismo.

Para Machado, o governo deveria aumentar o percentual tolerado pelo governo de casos de Covid entre passageiros antes de declarar um surto e impor restrições ao navio. A exigência de vacinação e de testes negativos, feitas pelas companhias de cruzeiros, devem continuar, afirma o ministro.

A proposta do chefe do Turismo sofre resistência por integrantes do governo e não deve ser aceita. A leitura é de que seria mais eficiente garantir que as regras vigentes sejam cumpridas por todos os órgãos da federação. Membros do governo defendem que municípios que deveriam aceitar o desembarque de passageiros que testaram positivo em cruzeiros, por exemplo.

Uma portaria do Ministério da Saúde, em vigor desde final de outubro do ano passado, define quatro níveis epidemiológicos para viagens de transporte aquaviário e protocolos a serem seguidos. Se há casos de Covid-19 em número igual ou acima de 0,1% do total de passageiros embarcados o navio entra no nível 3, quando o governo considera que há surto do vírus no local.

No nível 4, quando há transmissão comunitária ou larga ocupação dos leitos médicos e locais de isolamento, a Anvisa coloca a embarcação em quarentena e pode impedir novos embarques, como fez com dois dos cinco cruzeiros atuais do país.

Depois decisão do setor de suspender as atividades, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que as empresas observaram as regras do governo.

“Nós tínhamos uma portaria que previa segurança para a situação dos cruzeiros e previa situações como essa de ter casos de Covid, ali já tinha todas as normativas. Se as companhias de cruzeiros estão fazendo isso, naturalmente estão observando o que diz na portaria e a segurança de quem contrata esses passeios”, disse ele nesta segunda.

A Anvisa recomendou em 31 de dezembro a suspensão de todos os cruzeiros marítimos para a avaliação do cenário epidemiológico. A agência também suspendeu a atividade de duas embarcações que registraram surto de Covid.

Segundo a agência reguladora, a recomendação de interromper as viagens ocorreu por conta do aumento repentino de casos de infecção por Covid-19 detectados nas embarcações que operam cruzeiros marítimos e também por conta da variante ômicron.

Passageiros relataram, nas redes sociais falta de comida e limpeza em cruzeiros que tiveram atividades interrompidas por surto de Covid.

“Nas últimas semanas, as duas companhias de cruzeiros afetadas experimentaram uma série de situações que impactaram diretamente as operações nos navios, tornando a continuidade dos cruzeiros neste momento impraticável”, disse a CLIA, em nota.

A entidade disse lamentar a suspensão das novas atividades e afirmou que os protocolos sanitários estavam funcionando. A CLIA também disse que a temporada de cruzeiros tinha previsão de movimentar mais de 360 mil turistas, com impacto de R$ 1,7 bilhão.

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