Moro diz que apagava mensagens com Bolsonaro após ataque de hackers em 2019

Vinicius Cordeiro

Ex-ministro deu a declaração em seu depoimento à PF no último sábado.
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O ex-ministro Sergio Moro afirmou que apagava mensagens com o presidente Jair Bolsonaro por causa do ataque cibernético que sofreu em 2019. A declaração fez parte no depoimento de Moro à Polícia Federal no último sábado (2), em Curitiba.

“O declarante esclarece que tem só algumas mensagens trocadas com o Presidente, e mesmo com outras pessoas, já que teve , em 2019, suas mensagens interceptadas ilegalmente por hackers, motivo pelo qual passou a apagá-las periodicamente”, diz trecho do depoimento de Moro.

Questionado pelos delegados se as mensagens eram apagadas por ilicitudes, Moro negou e disse que seria “para resguardar privacidade e mesmo informações relevantes sobre a atividade que exercia, inclusive, questões de interesse nacional”.

Com isso, Moro admite, pela primeira vez, que mensagens foram divulgadas ilegalmente pelo site Intercept Brasil. Desde junho de 2019, o site divulgou mensagens do ex-juiz federal com integrantes da Lava Jato, direcionando algumas operações.

Em julho do ano passado, Moro parabenizou a PF pelo trabalho na Operação ‘Spoofing’. A investigação resultou na prisão quatro suspeitos de terem invadido os celulares de autoridades e repassarem ao Intercept.

O depoimento de Moro à PF foi divulgada pela CNN Brasil e obtida pelo Paraná Portal nesta terça-feira (5).

ESTOPIM PARA O FIM DA RELAÇÃO ENTRE MORO E BOLSONARO

O depoimento de Moro comprova que o rompimento com Bolsonaro foi a exoneração de Maurício Valeixo, ex-diretor-geral da PF.

Segundo o ex-ministro, Bolsonaro alegou a falta de empenho da Polícia Federal na investigação de possíveis mandantes na tentativa de assassinato contra o presidente.

Conforme o relato de Moro, a Polícia Federal de Minas Gerais fez um “amplo trabalho de investigação e isso foi mostrado ao Presidente ainda no primeiro semestre do ano de 2019, numa reunião ocorrida no Palácio do Planalto, com a presença do Declarante, do Diretor VALEIXO, do Superintendente  de Minas Gerais e com delegados responsáveis pelo caso”.

Além disso, na época, Bolsonaro não teria apresentado qualquer contrariedade quanto à investigação. Contudo, em janeiro deste ano, o presidente já revelou a Moro sua intenção em trocar o comando da PF.

Contudo, Moro disse a Bolsonaro que a troca não teria justificativa e que resultaria em sua demissão. Para Moro, além de tirar Valeixo – seu homem de confiança, foi decisivo o fato do presidente não levar sua opinião sobre o novo escolhido.

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