Política
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Moro condena ex-gerente da Transpetro e mais dois na Lava Jato

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas ações em 1ª instância da Operação Lava Jato, condenou nesta segunda-feira ..

Andreza Rossini - 25 de junho de 2018, 13:12

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas ações em 1ª instância da Operação Lava Jato, condenou nesta segunda-feira (25) o ex-gerente da Transpetro José Antônio de Jesus, o engenheiro Adriano Silva Correia e o empresário Luiz Fernando Nave Maramaldo, no processo referente a 47ª fase da força-tarefa, batizada de Sothis.

O ex-gerente da Transpetro foi condenado a 12 anos e seis meses de prisão, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.  Jesus e cúmplices são acusados de receber R$ 7 milhões em propina paga por uma empresa de engenharia. Os valores foram recebidos entre setembro de 2009 e março de 2014. Ele já cumpre prisão preventiva desde novembro de 2017, no Complexo Médico Penal, na grande Curitiba.

De acordo com a sentença de Moro, os réu deve ressarcir aos cofres públicos os R$ 7 milhões relativos a este processo. O juiz determinou bloqueio de bens até atingir o valor determinado. "Por outro lado, o produto do crime, de quase sete milhões de reais, ainda não foi recuperado e está sujeito a novas operações de ocultação e dissimulação. A manutenção da prisão no mínimo dificulta a frustração dos direitos da sociedade e da vítima de recuperar o produto do crime", afirma o juiz.

Adriano Correia foi condenado a três anos e dez dias por lavagem de dinheiro e ocultação de provas. Ele está proibido de assumir cargos públicos e deve cumprir a pena em regime inicial aberto, prestando serviços comunitários.

O empresário Maramaldo tem acordo de delação premiada homologado com a justiça. Ele foi condenado a 11 anos e oito meses por corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Ele deve cumprir a pena em regime aberto diferenciado, monitorado por tornozeleira eletrônica.

Jesus e Maramaldo devem responder em liberdade até a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4).

Operação Sothis

As investigações, segundo o Ministério Público Federal (MPF), tiveram início com base na colaboração premiada dos executivos da empresa de engenharia. Foram realizadas diversas diligências com base nas informações, como afastamento de sigilos bancário, fiscal, telemático e de registros telefônicos. As medidas revelaram a existência de vínculos entre os investigados e corroboraram os atos narrados pelos colaboradores.

As provas indicam que o ex-gerente recebeu suborno para favorecer a empresa de engenharia em contratos com a Transpetro. Para dissimular e ocultar a origem ilícita dos recursos, o valor foi pago por meio de depósitos realizados em contas bancárias de terceiros e familiares, vindo de contas de titularidade da empresa de engenharia ou de seus sócios.

O ex-gerente teria pedido, inicialmente, o pagamento de 1% do valor dos contratos da empresa com a Transpetro como propina, entretanto, o acerto final ficou em 0,5%. Este valor foi pago mensalmente em benefício do Partido dos Trabalhadores (PT), de modo independente dos pagamentos feitos pela mesma empresa a pedido da presidência da Transpetro, e que eram redirecionados ao PMDB. O ex-gerente se desligou da subsidiária da Petrobras recentemente.

“Esse ex-gerente era vinculado ao movimento sindical e ao PT de maneira informal. Ele mencionou que os valores seriam revertidos ao partido quando solicitou o pagamento de propina”, afirmou Jerusa.

O procurador da República Athayde Ribeiro Costa destaca que “houve um esquema político-partidário contínuo e duradouro na Transpetro, como na Petrobras. Os crimes praticados na Transpetro são uma nova frente de investigações da Lava Jato, em expansão. Como ocorreu no caso da Petrobras, este é o momento mais favorável para quem quiser colaborar com a Justiça se apresentar”.

Segundo o MPF, as investigações na Transpetro devem ser aprofundadas.