Moro condena primeiro preso da Lava Jato e mais três

Andreza Rossini


O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas ações em primeira instância da Operação Lava Jato, condenou o doleiro Carlos Habib Chater a dez anos e onze meses de reclusão mais multa, por crimes contra o sistema financeiro nacional, como realização de operações de câmbio não autorizadas.

“As atividades financeiras ilegais prolongaram-se pelo menos entre 2007 a 2014 e envolveram a prática de operações financeiras com diversas pessoas envolvidas em atividades criminais, como Alberto Youssef e Fayed Traboulsi e agentes públicos”, despacha Moro.

Habib já tem condenações por lavagem de produto de tráfico de drogas. Ele é proprietário de um dos postos de combustíveis mais movimentados do país, em São Paulo, conhecido como “Posto da Torre”. O Lava Jato que ele tem na empresa deu nome à operação.

Moro determinou que Carlos se afaste da administração do posto em até 30 dias. “A presente sentença ilustra que Carlos Habib Chater utilizou o Posto da Torre para a prática habitual de operações financeiras ilegais, enquanto as duas condenações revelam que o utilizou como instrumento para lavagem de dinheiro. No contexto e sem registro aparente de arrependimento, temerário que continue a administrar o estabelecimento, o que lhe propicia novas oportunidades de enveredar em práticas ilegais de lavagem de dinheiro”, alega Moro.

Também foram condenados o gerente administrativo do posto André Catão de Miranda, o empresário Ediel Viana da Silva que afirmou em processo que o posto de combustíveis era local utilizado por políticos para receber propina e o operador do posto, André Luis Paula dos Santos.

Confira as penas:

André dos Santos:  Sete anos de reclusão pelos crimes de pertinência à organização criminosa, evasão e pertinência a grupo organizado e multa.

Ediel: Prestação de serviço a comunidade. “Justifico as escolhas, a prestação de serviço pelo seu elevado potencial de ressocialização, a prestação pecuniária porque, de certa forma, compensa a sociedade, vítima do crime”, alega Moro.

André Miranda: Prestação de serviço à comunidade.

 

 

 

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