Moro critica invasão a hospital e afirma que comportamento não pode ser incentivado

Angelo Sfair

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O ex-ministro da Justiça Sergio Moro criticou a invasão a um hospital do Rio de Janeiro promovida por um grupo que havia perdido um familiar infectado pelo coronavírus. Sem citar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o ex-juiz afirmou que “esse comportamento não pode ser incentivado”.

Menos de 24 horas antes, Bolsonaro estimulou seus seguidores a filmar o interior de hospitais públicos e de campanha. Ao pedir que seja averiguada a ocupação dos leitos de emergência, o presidente sugeriu que estados e municípios estariam, deliberadamente, deixando pessoas sem atendimento de propósito.

Nesta  sexta-feira (12), o Hospital Municipal Ronaldo Gazolla foi invadido por um grupo de seis pessoas. A unidade é referência no tratamento da Covid-19 no Rio de Janeiro. De acordo com o jornal O Globo, familiares de uma vítima da doença chutaram portas e quebraram computadores enquanto gritavam que pretendiam averiguar se os leitos estavam, de fato, ocupados.

Em uma transmissão ao vivo nas rede sociais, nesta quinta-feira (11), Bolsonaro defendeu que supostas anormalidades seja denunciadas ao governo federal. Posteriormente, defendeu que a PF (Polícia Federal) e a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) investiguem a situação.

No entanto, não há nenhuma evidência de que os hospitais públicos e de campanha estejam vazios. Pelo contrário, a taxa média de ocupação de leitos de UTI cresce em todo o Brasil com o avanço da pandemia do coronavírus, que já matou mais de 41mil pessoas desde março. O número de óbitos quadruplicou no último mês, conforme levantamento do UOL.

Sobre a invasão ao Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, o ex-ministro Sergio Moro cobrou responsabilidade àqueles que incentivam esse comportamento.

“É necessário que as pessoas pensem e reflitam sobre suas ações. Compreende-se a dor de uma família que perde um ente querido, mas precisamos repudiar a violência e atos tresloucados que colocam outros em risco. Esse comportamento não pode ser incentivado”.

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